Sessão de Homenagem e exposição dedicada a Francisco Lyon de Castro

 

Para além da sessão de homenagem e desta exposição o Arquivo & Biblioteca organizou, em 2004, um CD-ROM sobre a  censura e apreensão de livros, com documentação que Francisco Lyon de Castro, entregou no Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares, para digitalização.

Reunimos neste CD-ROM, editado em sua homenagem, numerosos autos de busca e apreensão realizados pela PIDE/DGS e a PSP junto de editores e livreiros e, também, nos CTT, que exibem de modo muito claro a verdadeira natureza da política do espírito levada a cabo pelo regime de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.


CD-ROM Censura e Apreensão de Livros

 

FRANCISCO LYON DE CASTRO (1914 — 2004)

Francisco Lyon de Castro nasceu em Lisboa a 24 de Outubro de 1914, " ali para os lados da Estrela". Benjamim de uma família de 10 irmãos, é filho de um comerciante e pequeno industrial de madeiras de Óbidos, Adelino, e de uma dona de casa, Rosalina, e neto de avô escocês Edward Lyon, de descendência da mais distinta nobreza britânica e que viveu em Óbidos e participou na administração da construção da linha dos caminhos de Ferro do Oeste. Fez-se nas andanças da rua onde também jogava à bola com "a malta do bairro", próximo ao Cemitério dos Prazeres, mas sempre debaixo  do rigor da educação materna.  Aos 13 anos, fundou uma organização de solidariedade no bairro onde vivia com os pais, em Campo de Ourique, destinada a apoiar crianças pobres e promover acções culturais com os seus companheiros de bairro. Aos 14 anos, entrou para a Imprensa Nacional como aprendiz de Artes Gráficas. Aí conviveu com operários anarquistas, sindicalistas e comunistas.

Em 1932, funda o jornal Mocidade Livre, que constituía uma frente democrática de jovens operários e estudantes. O Mocidade Livre dá origem à criação da União Cultural Mocidade Livre, que realiza na Universidade Popular Portuguesa um ciclo de conferências, de que a primeira é a de Bento de Jesus Caraça («A Cultura Integral do Indivíduo — Problema Central do Nosso Tempo») e a que se seguiriam outras: de Hugo Baptista Ribeiro, de António Sequeira Zilhão e de Francisco Lyon de Castro. A conferência de B. J. C. foi publicada em brochura, impressa na gráfica da Seara Nova por solidariedade de Câmara Reis. Esta brochura era a primeira de uma série designada por «Cadernos de Vanguarda». As conferências que se seguiriam foram proibidas pela PVDE — polícia política do regime.

Em 1933, F. L. C. adere ao Partido Comunista Português, toma contacto com alguns dos seus militantes, entre eles Gabriel Pedro e Francisco Miguel, e funda uma célula para a qual alicia, entre outros amigos, Júlio de Melo Fogaça, que mais tarde veio a ser membro do Comité Central do PCP. Ainda em fins de 1933, F. L. C. participa na preparação do movimento contra a criação dos Sindicatos Nacionais (corporativos). Aquele movimento foi desencadeado em 18 de Janeiro de 1934, provocou muitas prisões, algumas em áreas da linha de Sintra, onde F. L. C. desenvolvera acções preparatórias do movimento com vista a barrar o trânsito dos comboios por altura do Cacém.

A repressão que se seguiu justificou a fuga de F. L. C para Espanha. Depois de passar clandestinamente a fronteira espanhola, instala-se em Madrid, onde estabelece contactos com organismos democráticos portugueses de emigrados e com o Partido Comunista Espanhol, onde passou a militar. Em fins de 1934 há um movimento insurreccional nas Astúrias, com repercussões em muitos pontos da Espanha, inclusive Madrid. No movimento das Astúrias há uma larga participação de mineiros, muitos dos quais se refugiam em Madrid. F. L. C. trabalha então com organizações comunistas para apoio aos mineiros. A uma delas preside Dolores Ibarruri, a Passionária com quem colaborou. Procuram instalar os mineiros que se refugiaram em Madrid e organizam a sua passagem clandestina para França.

É em Madrid que F. L. C. conhece pessoalmente Francisco Paula de Oliveira (Pavel), então um dos dirigentes das organizações comunistas portuguesas. Toma também contacto com outros opositores ao regime português, incluindo entre eles o chamado grupo Budas, e alicia Joaquim Pires Jorge para a célula que já havia constituído. É neste período que F. L. C. frequenta com assiduidade o famoso Ateneo de Madrid, onde conhece, e ouve em conferências, muitos intelectuais e políticos republicanos e socialistas. António Machado, Lorca, Rafael Alberti, Manuel Azaña, foi gente com quem privou. Sobrevivia precariamente graças ao apoio que alguns camaradas da Imprensa Nacional lhe faziam chegar e da venda ambulante.

Em 1935, durante o Congresso da Juventude Comunista Espanhola, F. L. C. organiza com um grupo de refugiados políticos portugueses uma exposição com material de propaganda das organizações comunistas portuguesas, do Socorro Vermelho Internacional e de jornais de prisão, que mais tarde, em Paris, cede ao jornal Monde, dirigido por Henri Barbusse, a quem faz a entrega pessoal dos jornais de prisão para se divulgar a luta em Portugal contra o regime de Salazar.

Passa clandestinamente para França, a pé, pela montanha, durante 80 km, em pleno Inverno, em condições muito difíceis. Esta «aventura» bem como outras partes da vida de F.L.C. veio a ser romanceada por Fernando Namora em "Os Clandestinos". Ainda em 1935, em Paris, desenvolve actividade em organismos democráticos e de solidariedade, particularmente entre operários portugueses residentes nos arredores de Paris, organizando sessões de esclarecimento com vistas à preparação política e sindical dos trabalhadores portugueses. Estudou Trotsky mas afirmava que aquele não o tinha influenciado. Em 1935, recebe de Francisco Paula de Oliveira, então em Moscovo, uma carta a considerar que F. L. C., em vez de ir para Moscovo, deve regressar a Portugal, onde há a luta.

F. L. C. responde ao seu jeito característico que a luta também não é em Moscovo mas obedece
e regressa a Portugal. Pouco depois, foi preso. Esteve vários meses incomunicável em esquadras da PSP e depois no Aljube, Peniche e Caxias. Apanhou "grandes tareias", como ele dizia, sofreu a tortura do sono. F. L. C. foi julgado no Tribunal Militar Especial e condenado a quatro anos de desterro. É deportado para os Açores e cumpre a pena na Fortaleza de S. João Baptista em Angra do Heroísmo.

Em 1939, estando ainda preso em Angra do Heroísmo, toma conhecimento do Pacto Germano-Soviético e revoltado com a ligação da URSS a Hitler, decide abandonar o PCP. Nessa altura decidiu também, nunca mais se submeter a estruturas partidárias.

Casa, entretanto, por procuração, com a namorada, Eunice, filha de um pastor protestante e maçon. Eunice, catrapiscara-a  anos antes nas suas idas a uma Igreja Protestante, a Igreja de Jesus então existente na rua 4 de Infantaria em Campo de Ourique. Era aí que ele levava jovens amigos e conhecidos porque o Pastor apoiava acções culturais e sociais junto de crianças e jovens mais desfavorecidos.

Foi posto em liberdade em 1940, depois de ter estado preso durante cerca de cinco anos e durante um deles de castigo nas "portas falsas" e na terrível poterna do forte de Angra. Aí arranjou uma doença renal de que nunca recuperou totalmente.

Quando regressou quis voltar ao seu trabalho na Imprensa Nacional mas isso foi-lhe recusado. Pediu auxilio ao Pai e durante cinco anos com ele trabalhou na pequena empresa familiar de negócios de madeiras. Nunca se esqueceu do apoio que então lhe deu um Administrador dos Caminhos de Ferro, um tal Leite Pinto que, embora sabendo do seu percurso político, acreditou mais na sua capacidade de trabalho, de organização e na promessa de cumprimento de prazos. A Europa estava em guerra e Portugal para ter os comboios a circular dependia dramaticamente da lenha que fosse possível arranjar. F.L.C. percorreu todo o país, organizou equipas de madeireiros, inventou transportes, improvisou pontes e caminhos e como ele costumava dizer, "entregou a carta a Garcia". O tal Leite Pinto mais tarde, nos anos 50, veio a ser o Ministro de Educação Leite Pinto.

No final da II Grande Guerra, logo em Maio de 1945, F. L. C. considera que é chegado o momento de explorar acções legais, apesar de o regime de Salazar se manter. Com o pouco dinheiro que tinha organiza com seu irmão, Adelino Lyon de Castro, a Editora Publicações Europa-América, que se propõe, além da actividade editorial, realizar a importação de livros e publicações periódicas estrangeiras. As importações fazem-se sobretudo de França, mas a maior parte delas é apreendida nos serviços dos Correios, que colaboram com a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) e com os Serviços da Censura. Como a importação estava a levá-lo à ruína começa a editar. Um dos primeiros livros que publica é "A Centelha da Vida"de Erich Maria Remarque. O seu tradutor é um jovem, de nome José Saramago.

Entretanto em Junho de 1945, nasce o filho Tito.

Em 1952, F. L. C. funda o jornal "Ler", para o qual chama a colaborar Fernando Piteira Santos. Apesar de ter a colaboração de um vasto leque de intelectuais de todas as tendências, foi objecto da intervenção permanente da Censura, que, em 1953, o proibiu, sob o pretexto de que Adelino Lyon de Castro, editor do Ler, havia falecido. Também o PCP combateu o jornal porque tal como ao Regime não lhe agradava a sua independência. Nomes como João José Cochofel, Cardoso Pires, Maria Lamas, Mário Dionísio, Nuno Teotónio Pereira, António Quadros (filho de António Ferro), Delfim Santos, José Régio, Orlando Ribeiro, Tomás Ribas. É pouco depois do falecimento de Adelino Lyon de Castro que a esposa de F. L. C, Eunice, entra para sócia da Europa-América.

F. L. C voltou a ser preso, tendo estado de novo no Aljube por mais duas vezes, acusado de importar publicações de natureza política subversiva e contrárias ao regime vigente. Priva com António Sérgio e acompanha-o até ao fim. No começo dos anos 60, F. L. C. tem consciência de que a Europa-América pode vir a constituir um factor muito importante para a cultura portuguesa mas que para isso precisa de dispor dos necessários meios. Em 1961, decide criar uma sede que reúna as condições necessárias para realizar as múltiplas actividades culturais que projecta. A construção da nova sede verificou-se entre 1962 e 1964, o que pôde realizar com o apoio de um grande amigo, o construtor Amadeu Gaudêncio que lhe facilitou o pagamento. O dinheiro arranjou-o na venda do livro de Caril Chessman, a Cela da Morte e por empréstimos na Banca.

Em 1962, F. L. C. participa num Congresso da União Internacional de Editores, em Barcelona, e ali faz um discurso que condena o regime português pela prática da censura e a proibição de livros de diversos autores estrangeiros e de autores portugueses, alguns dos quais são objecto de perseguições.

Em 1963, envia o filho Tito Lyon de Castro para Inglaterra, para a editora do seu grande amigo escocês John McKenzie Calder, a fim de tomar contacto com a actividade editorial e livreira naquele país. Calder faz mais do que isso. Ele próprio um homem ligado à política e casado com a cantora de ópera Betina Ionic introduz o candidato a editor em meios literários, artísticos e políticos britânicos. F.L.C. fica radiante.

Pouco depois do Congresso, criou em Portugal uma empresa para o ensino técnico por correspondência — CETOP — cuja acção se estendeu a todos os países onde havia fortes núcleos de emigrantes portugueses. Esta empresa chegou a ter milhares de alunos em França, Alemanha, Inglaterra, Suíça, Canadá, Austrália, etc., além de numerosos núcleos de alunos espalhados de Norte a Sul de Portugal. Eram ministrados cursos técnicos, apoiados por monitores, que proporcionavam preparação para os alunos se incorporarem num vasto leque de ramos de actividade. Foi também estabelecido um acordo com uma organização espanhola, o qual está na origem de Publicações Alfa.

No começo da década de 70, a Europa-América iniciou a construção de oficinas gráficas. Estas vieram a tornar-se uma sociedade independente: a Gráfica Europam. A criação das novas instalações provocou acções persecutórias do Governo e particularmente da PIDE, agravadas, na óptica do regime, com o facto de em 1965, também num Congresso da União Internacional de Editores, em Washington, F. L. C ter denunciado de novo o regime de censura existente em Portugal. F.L.C. divertia-se porque sabia que tão depressa o suspeitavam de receber dinheiro de Moscovo ou da China como dos E.U.A.

Pouco depois deste Congresso, um grupo de agentes da Direcção-Geral das Actividades Económicas, de que era director o coronel Silva Paes, simultaneamente director da PIDE, procedeu, durante uma semana, a uma devassa na sede da empresa, verificando milhares de documentos na tentativa de encontrar o que pudesse justificar o encerramento de P. E. A.

Sendo o resultado nulo, passado pouco tempo a sede foi cercada e um grupo de agentes procedeu à apreensão de dezenas de milhares de livros de toda a natureza, sendo simultaneamente proibidas 23 obras que haviam sido publicadas recentemente. Foi neste período que também foi proibido o volume História, um dos 10 volumes que compunham a enciclopédia de grande formato que P. E. A. estava a publicar. A proibição e apreensão dificultou a venda da enciclopédia e causou prejuízos que perspectivavam o encerramento da empresa.

Em 1972, o livro Le Portugal Bâillonné, que Mário Soares havia publicado em França, na Editora Calman-Levy, não pôde circular em Portugal. F. L. C. é amigo de Alain Oulmant, um dos proprietários e director da Calman-Levy, e com ele será possível um acordo. F. L. C. consegue fazer entrar em Portugal, clandestinamente, quantidades importantes daquela obra sem que a Polícia viesse a conhecer a origem da sua presença no nosso país.

Em Dezembro de 1975, elementos do Governo convidam F. L. C. para a administração da Empresa Pública Notícias-Capital. Pouco depois é nomeado também para presidente da Comissão de Reestruturação da Imprensa Estatizada. Em ambos os cargos, Francisco Lyon de Castro estipula que só os aceitará na condição de não ficar com qualquer remuneração.

Foi condecorado com a Ordem Nacional de Mérito da França, concedida pelo presidente François Miterrand. O grau de Comendador da Ordem da Liberdade, é-lhe conferida pelo presidente António Ramalho Eanes.

F. L. C. foi o primeiro presidente eleito da Associação Portuguesa de Editores, constituída após o 25 de Abril de 74, cargo que exerceu durante dois mandatos. Foi também o primeiro presidente eleito da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas. Com Pedro Feist e seu filho Tito impediu a ocupação da União dos Comerciantes de Lisboa por oportunistas políticos, e veio a ser dirigente eleito da mesma.

Durante vários anos, fez parte da Comissão Internacional da União Internacional de Editores e participou, durante um largo período, nos Encontros Internacionais de Genebra, onde fez diversas intervenções. Publicou 12 volumes dos textos das conferências, alguns dos quais foram proibidos, como é o caso do Diálogo ou Violência, que continha intervenções de F. L. C.

F. L. C. acompanhou os presidentes António Ramalho Eanes e Mário Soares em visitas oficiais a Moçambique, Brasil e à antiga União Soviética, onde teve a ocasião, neste último país, de apresentar a primeira edição estrangeira do livro de Mikhaïl Gorbatchov, Perestroïka, que havia editado.

Na sequência do reatamento das relações diplomáticas com a República Popular da China, levadas a cabo pelo seu amigo o Embaixador Coimbra Martins, F.L.C. foi o primeiro português a promover e divulgar a cultura chinesa em Portugal através da primeira exposição de livros e peças de arte daquele país em Portugal.

A sua grande amizade com Mário Soares e sua família era conhecida, embora nunca tenha aderido ao Partido Socialista. Tendo grandes amigos em todos os partidos o seu coração pendia para o PS. Nunca deixou, porém de ter uma atitude muito crítica e frontal face à actividade partidária e ao comportamento dos dirigentes políticos ou governamentais quando entendia que os princípios, a lealdade e a rectidão, estavam a ser traídos ou os interesses do país estavam a ser vendidos. Fosse por quem fosse. Embora tivesse sido convidado para desempenhar diversos cargos políticos, sempre os declinou. Aos familiares confidenciava que nunca poderia aceitar cargos políticos porque, como só poderia dizer a verdade e actuar conforme as suas convicções, isso seria incompatível com o desempenho de tarefas politicas. Aceitou apenas estar como independente, num mandato, na Município de Sintra.

Na década de 80, a família Lyon de Castro adquiriu a Editorial Inquérito e as Realizações Artis, ficando estas editoras sob a sua orientação pessoal.

Em 1989, a sua companheira, esposa e amiga de uma vida, Eunice, falece. Uma perda que muito o marcou.

Em 95 funda com o filho e netos uma nova editora, Lyon Edições com o objectivo primeiro de publicar obras de ensaio e romance histórico.

No ano 2000, o Governo francês confere a F. L. C. o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, entregue pela então ministra da Cultura Catherine Trautman, durante o Salão do Livro daquele ano. Ainda naquele ano, tem um papel muito activo na criação da União dos Editores Portugueses, tendo antes participado na constituição do Clube de Editores, que está na origem da União de Editores Portugueses.

Durante as décadas de 70, 80, 90 e já no presente século, acompanha a criação de diversas livrarias espalhadas pelo país, primeiro com a marca Europa-América e depois sob a marca Livrarias Lyon, e que são propriedade da família. Ajudou a abrir uma Delegação e Livraria da Europa-América em Moçambique.

Até 2002, participa todos os anos na Feira do Livro de Frankfurt, tendo sido porventura o mais antigo editor a frequentar aquele certame. A sua primeira feira foi em 1959 onde exigiu que a Bandeira Portuguesa fosse hasteada caso contrário retirava-se e causaria um escândalo. A Bandeira foi hasteada.

Criou um catálogo com milhares de títulos, porventura entre os maiores nas editoras europeias, onde figuram não só grandes nomes da cultura portuguesa bem como as grandes "estrelas" mundiais no campo da ficção e do ensaio. Clássicos e Contemporâneos. Nomes com Alves Redol, Jorge Amado, Soeiro Pereira Gomes, Urbano Tavares Rodrigues, aparecem ao lado de Camões, Maquiavel, Cervantes, Le Carré, J.R.R. Tolkien, Lenine ou José Hermano Saraiva. Da obra de autores científicos como António Damásio ao policial de Conan Doyle, quase tudo publicou.

Dele dizia-se na Banca que podia passar as mãos por ouro em pó que ele não se lhe agarrava.

Ganhou e perdeu muita coisa na vida. Mas talvez o bem material mais precioso que lastimou ter perdido foi a sua boina basca. A velha boina que o acompanhou durante os tempos de exílio e prisão. Serviu-lhe de abrigo, de almofada, de conforto. Perdeu-a numa viagem de autocarro para Cacilhas. Nunca se perdoou. Nunca se recompôs da perda da querida e velha boina. Mas quis levar consigo a sua segunda boina basca e a bengala ferrada em que se apoiava nos longos passeios na Beira Baixa, Sintra e nas suas viagens pela Europa.

Francisco Lyon de Castro faleceu a 11 de Abril de 2004, Domingo de Páscoa. Trabalhou até uns dias antes. Deixou um filho, dois netos e quatro bisnetos.

in http://www.europa-america.pt/FLyonCastro.htm

 


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