Blufo: orgão dos pioneiros do PAIGC

 


Apresentação

 

A Escola-Piloto, localizada em Conakry, foi criada na sequência do I Congresso do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), realizado no interior da Guiné-Bissau, em Cassacá, de 13 a 17 de Fevereiro de 1964.
Os seus primeiros alunos foram, precisamente, muitas das crianças que aí tinham acorrido, acompanhando os dirigentes das diferentes regiões e que, de acordo com as orientações de Amílcar Cabral, foram levadas para Conakry, a fim de aí poderem receber instrução.
A partir deste momento, começou a funcionar a Escola-Piloto, cujo ensino veio a estender-se até ao 6ª ano, quase sempre ministrado em português, por professores guineenses, cabo-verdeanos e, pelo menos, também um português.
Em 1966, foi também editado pelo PAIGC O Nosso Primeiro Livro de Leitura.
Luís Cabral foi o principal impulsionador da criação do Blufo, orgão dos pioneiros do PAIGC – o que lhe advinha das suas responsabilidades no Secretariado Permanente do Conselho Executivo da Luta em matéria de informação e propaganda.
O CD-ROM que o Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares agora publica permite o acesso à série completa do jornal Blufo, disponibilizada por Luís Cabral, e ainda a alguns sons e imagens.

 

O Blufo

 

A saída mesmo irregular e em pequenas tiragens do Blufo – que se publicou ao longo de cinco anos (Janeiro de 1966 a Dezembro de 1970) – constituíu, sem dúvida, um marco assinalável na vida da Escola-Piloto, ao mesmo tempo que a sua influência se fazia sentir em muitas regiões do interior da Guiné onde chegava.
A própria designação do pequeno jornal decorreu de uma escolha criteriosa: “Blufo” significa o jovem balanta ainda não circunsisado, a quem, no fundo, tudo é permitido e de quem se espera rebeldia e coragem.
Um outro traço marcante do Blufo é a presença nas suas páginas de fotografias de jovens guineenses, como sinal de esperança no futuro, quando o país vivia uma guerra difícil e mortífera. Ora, muitos desses jovens são hoje médicos, engenheiros, advogados, políticos – o que contrasta severamente com a herança colonial em matéria de educação.
 

 


 

 

 


(topo)
 


© FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES