Exposição: A Filarmónica das Cortes – marcos da sua história

 

 

FILARMÓNICA DAS CORTES

marcos da sua história

 

 

AS ORIGENS: 1878 - 1921
 

O NASCIMENTO

 

1878 é apontado como o ano em que a ideia de constituir uma Filarmónica nas Cortes tomou forma, desde logo se tendo desenvolvido as primeiras diligências para obter local de trabalho, para promover a aprendizagem musical e fazer os primeiros ensaios.
- Em 1879 já se aspirava à fundação propriamente dita do agrupamento. 33 mancebos constituíam o conjunto de aprendizes a quem o Mestre António João Quinta, de Leiria, dava ensaios de solfejo três vezes por semana.
- Com a fundação da Filarmónica dos Marrazes, em 28 de Setembro de 1880, apressou-se a oficialização da das Cortes.
- Em 31 de Janeiro de 1881 era finalmente lavrada a “Escriptura Constitutiva de Sociedade Intitulada - Phylarmonica de Nossa Senhora da Gaiola das Cortes que fazem Manuel de Faria e outros”.
- «Nova escritura foi [depois] feita e assinada pela Direcção, e pelo credor Exmo. Sr. Visconde de S. Sebastião que emprestou a esta sociede. 400$000 reis ao juro de 5% para comprar o seu novo instrumental. Êste foi comprado no Porto, mas era de fabrico extrangeiro, tendo gravada a marca Gantrot Paris.»
 

A BANDA NA RUA

 

-«Pouco mais d’uma duzia de músicos de Leiria, percorreram as ruas desta povoação, a tocar várias peças nos novos instrumentos que acharam bons, visitaram membros da Direcção, adegas, etc. Depois fez-se a distribuição pelos Sócios que eram 33, tantos como os instrumentos (...).»
- «Sairam pela 1ª. vêz no Domingo de Páscoa a acompanhar a procissão da Ressurreição tocando um hino chamado “O Senhor dos Aflictos”, feio e dificil para ser desempenhado por gente tão atrazada e sem prática. A 2ª. vêz na Sª. do Monte: tocavam o referido hino e estrearam o primeiro passo Dobrado egualmente feio e dificil para tão fracos executantes. A 3ª. vêz na tradicional festivide. da Sª. da Gaiola. Uma orquestra de Leiria, tocou à Missa - A missa do Pinto. Nessa altura a música de Cortes já tinha mais uma peça - a valsa “Diolinda”. Esta era bonita e fácil. No dia de S. João foi tocar à procissão que se realisou na Caranguejeira e à tarde às Fontes a uma corrida de frangões. Já desempenhava, embora incorrectamente 5 peças de música (...).»
 

A PRIMEIRA CRISE

 

- Depois da fundação da Filarmónica das Cortes, no último quartel do século XIX, passam mais de 40 anos sem que se tenha, até agora, notícia objectiva das suas actividades. A preparação musical seria muito deficiente e a educação dos executantes também deixaria muito a desejar, designadamente hábitos alimentares menos adequados, como o consumo desenfreado de vinho, que proporcionava mau aspecto, indisciplina e desavenças. Será desse tempo o pejorativo cognome de “Música do Tamarez” atribuído à Filarmónica das Cortes, num período em que o Regente seria o Capitão Pinto, Chefe da Banda do RI7. Há mesmo quem ainda se lembre de que, no período de 1916 a 1922, durante e após a 1ª Grande Guerra, a Filarmónica das Cortes esteve encerrada. Com efeito, só a partir de 1922 se volta a ter conhecimento de que a Filarmónica existe.

 

A FILARMÓNICA RENASCIDA: 1922 - 1957
 

UMA BANDA, UM NOME “FILARMÓNICA DAS CORTES”

 

- 29-03-1922 - Acta da sessão inaugural da nova “Filarmónica das Cortes”. Nesta data, «na Casa das sessões da “Junta de Freguesia” das Cortes, concelho de Leiria, compareceram os cidadãos: António Cordeiro Gonçalves, Manuel de Oliveira Carvalheiro, Adriano de Oliveira Carvalheiro, José de Oliveira Caseiro, Alfredo de Oliveira Caseiro, José Lopes Ribeiro, António Lopes Cordeiro, José Miguel, Joaquim Lopes, António Lopes Júnior, Joaquim Gonçalves de Carvalho, José de Almeida, Joaquim Vieira Lúcio, todos socios executantes da antiga “Filarmónica Cortesence” há tempo decaída, os quais se propuseram tratar da sua reorganização, escudando-se no artigo 16º dos seus estatutos». Direcção: Presidente - Francisco de Oliveira Pontes; Vice-Presidente - José Pereira Malhão; tesoureiro - Manuel Batista; Secretário - Augusto Andrade Pereira da Costa; Sub-Secretário - Severino Augusto das Neves Eliseu; Vogais - António Pereira Valsumo e Augusto da Cunha.
- Foi «Severino Augusto das Neves Eliseu [quem] propôz que a nova Sociedade se intitulasse - Filarmónica das Cortes; lendo os estatutos da antiga, em voz alta, para serem por todos os presentes apreciados, achava conveniente fossem reformados nalguns dos seus artigos, depois postos em prática para a nova Sociedade se reger por êles, o que foi aprovado sem discrepância. A Direcção (...) deliberou que fossem convidados os restantes socios executantes da antiga sociedade a encorporarem-se na Nova; que os instrumentos e demais objectos que a ela pertenceram, se reunissem ali a fim de serem examinados, inventariados (...) para serem devidamente reparados; que se procurasse arranjar receita por meio de assinaturas, donativos etc., para fazer face às despesas ocorrentes, faltando, recorrer-se a um empréstimo, o que foi unanimemente aprovado».
 

TESTEMUNHOS DA ÉPOCA

 

- A iluminação é feita inicialmente por candeeiro a petróleo e depois, a partir de Outubro de 1922, por gasómetro, pela combustão de carbureto. A partir de Novembro de 1925 passa-se a dispor de energia eléctrica, proveniente da Moagem.
- 11-05-1922 - Transporte do instrumental ao Porto para reparação. A 25 de Junho pagam-se 600$00 a Manuel Ricardo «por conta do concerto [sic] do instrumental», e, a 4 de Setembro, mais 380$40.
- Primeiras saídas nesta nova fase. A 15-07-1922 é recebido o valor de 90$00 da festa nas Fontes, e valor igual da festa na Reixida a 29 do mesmo mês. Seguem-se as festas nas Cortes, na Fonte d’Oleiro e nos Parceiros.
- Em 26-08-1922 registam-se 391$20 como «dinheiro recebido do resultado da Kermesse».
- Em 04-09-1922 anota-se a despesa de 5$00 relativa a «impressos dos “Estatutos” para distribuir pelos sócios».
- A 26-11-1922 recebem-se 30$00 «da Muzica ir tocar às Comedias», ali voltando mais vezes nos anos seguintes.
- A 28-01-1923 distribuem-se 230$00 a 23 sócios executantes.
- 24-01-1924 - «Importância distribuída pelos sócios das contas de 1923»: 2.730$00.
- A 16-01-1925 «distribuiram-se pelos sócios da filarmónica» 5.923$90.
- 16-04-1925 - Acta da sessão em que se enumeram os 17 «Socios executantes que atualmente fazem parte desta filarmonica: Joaquim Vieira Lucio, José Ferreira, Manuel d’Oliveira Carvalheiro, Luiz d’Oliveira Cordeiro, Joaquim Bento da Silva Junior, Joaquim Gonçalves de Carvalho, Joaquim Lopes Cordeiro, José Miguel, António Lopes Junior, José Francisco Mafra, digo Adriano Francisco Mafra, António Cordeiro Gonçalves, Alfredo d’Oliveira Caseiro, Anacleto Lopes Cordeiro, Alfredo Vieira, Joaquim Lopes, Manuel d’Oliveira, Joaquim Ferreira».
- A 14-11-1925 são pagos serviços para a «instalação da luz eléctrica». Os custos do consumo ascendem a 5$00 por mês, avença fixa.
- Em 17-01-1926 foi de 6.688$60 a «importância distribuída pelos sócios».
- Em 22-01-1927 «distribuiu-se pelos sócios a quantia de 1.697$50».
- Em Junho de 1927, a Filarmónica participa na Festa da Trindade, na Batalha.
- Em 22-01-1928 regista-se a «Importância das fotografias da Sociedade “Filarmónica das Cortes” pagas ao fotógrafo Pinto de Leiria”, no montante de 250$00. E, para as encaixilhar, 19$00, a 19-01-1929.
- Em 05-02-1928 ascende a 6.631$00 a «importância distribuída pelos sócios».
- Em acta de 26-12-1928 regista-se que foi eleita nova Direcção a qual tomou posse a 06-01-1929. A distribuição de cargos foi feita a 12-01-1929, ficando o elenco directivo assim constituído: Presidente - João Pereira Novo; Vice-Presidente - António Cordeiro Gonçalves; Tesoureiro - Francisco Matias; 1º Secretário - Manuel dos Santos Mateus; 2º Secretário - Manuel Batista. Em sessão de 01-06-1930, Manuel dos Santos Mateus foi substituído por Manuel Cordeiro Gonçalves.
- A 22-05-1928 anota-se que «foi recebido por ir tocar à “Feira”, neste mês [de Maio]» o valor de 100$00, e outro tanto com data de 22 de Junho.
- A 09-01-1929, o «dinheiro distribuido aos sócios no dia das contas» ascende a 4.981$00.
- Por este tempo é Regente da banda Francisco Marques Neto, 1º Sargento Músico do RI7.
- Bom momento artístico da Filarmónica Cortesense, com êxitos retumbantes na Batalha, em Monte Real e no Concurso de Bandas no Mercado Fechado, em Leiria, promovido pelos Bombeiros Voluntários.
- A 05-02-1930 são distribuídos aos sócios 3.880$50.
- Em sessão de 30-12-1930 a Direcção cessante foi reconduzida, tendo João Marcelino dos Santos passado a integrá-la e sendo depois nomeado Tesoureiro a 18-01-1931.
- Em 18-01-1931 o valor distribuído aos sócios foi de 5.940$00.
- A 07-02-1932 é de apenas 1.304$80 o valor distribuído aos sócios.
- A 05-02-1933 é distribuído pelos sócios o valor de 3.426$00.
- A 25-02-1933 foi eleita nova Direcção que ficou assim constituída: Presidente - Joaquim Marques da Cruz; Vice-Presidente - José Pereira Malhão; Secretário - António Pereira Valsumo; Tesoureiro - João Marcelino dos Santos; Vogais - Cesário Pereira Rodrigues e José Marques da Cruz. A colectividade adopta nesta a altura a designação de “Sociedade Filarmónica Cortesense”.
- A 16-02-1935 volta a eleger-se nova Direcção. Componentes: Presidente - Joaquim Marques da Cruz; Vice-Presidente - José Pereira Malhão; Secretário - António Pereira Valsumo; Tesoureiro - João Marcelino dos Santos; Vogais - Cesário Cordeiro Gonçalves e Luís de Oliveira Cordeiro.
- Em 14-01-1937 a Direcção foi remodelada por eleição em Assembleia Geral. Os cargos ficaram assim distribuídos: Presidente - Eng. José de Sousa Charters; Secretário - António Cunha. Nos outros cargos mantiveram-se os elementos da Direcção cessante. Os dois primeiros tomaram posse em sessão de 16-02-1937.
- Em 16-03-1938 houve de novo eleições para a Direcção, cujos membros tomaram posse em sessão de 26 do mesmo mês. Constituição: Presidente - Joaquim da Silva; Secretário - César Augusto da Cunha; Tesoureiro - João Marcelino dos Santos; Vogais - Joaquim Ferreira, António Pereira Valsumo e José Pereira Malhão.
- Em sessão de 22-08-1938 foi resolvido nomear uma Comissão para reformar os Estatutos da Sociedade, constituída pelo Presidente da Direcção, pelo Secretário e pelo Regente. Os novos Estatutos foram apresentados em sessão de 12-12-1938, tendo sido deliberado enviá-los ao Governo Civil de Leiria «a fim de serem superiormente aprovados nos termos da Lei».
- A acta de 19-07-1940 regista o pedido de demissão do Presidente, Joaquim da Silva, que foi aceite, tendo então sido resolvido convidar Francisco Marques de Menezes para o cargo de Presidente e Francisco Alves Pereira para Vice-Presidente. Estes aceitaram e tomaram posse a 27-07-1940.
 

A NOVA CRISE

 

- Em 28-04-1945 a Direcção é alterada, passando a ter a seguinte composição: Presidente - Luís de Oliveira; Vice- Presidente - Manuel de Oliveira Carvalho; Secretário - Joaquim Cordeiro Rodrigues; Vice-Secretário - José Marques Cordeiro; e Tesoureiro - Joaquim Gonçalves Cordeiro.
- A 1 de Dezembro de 1946, Dia da Restauração, a Filarmónica tocou pelas ruas das Cortes a Marcha da Restauração. E no mesmo mês foi receber ao limite da freguesia das Cortes com o Arrabal, junto aos Mourões, a imagem peregrina de N. Sra. de Fátima, que acompanhou até ao açude das Cortes, de onde seguiu para outra freguesia.
- Em 1956, quando a Filarmónica regressava de uma festa na Gondemaria, numa camioneta emprestada por César Cunha, atropelou-se um indívíduo, partindo-lhe uma perna. Atribuindo as culpas ao condutor, a vítima exigiu depois uma indemnização brutal (100$00 por dia) que levou a Filarmónica das Cortes à falência, chegando a inventariar-se o intrumental para ser vendido.
- Embora não haja actas conhecidas, sabe-se que entre 1945 e 1958 a Direcção foi sendo alterada, dela fazendo parte nomeadamente Luís Gaspar Alves e Álvaro Filipe da Silva Matias, juntamente com o Pe. Francisco Jorge, em praticamente toda a década de 50. O problema criado com o acidente, associado a dificuldades várias, desde a indisciplina, à falta de músicos e, em especial, à falta de dinheiro, levou a que Luís Gaspar e Álvaro Matias decidissem encerrar a colectividade e propor à Junta de Freguesia que tomasse as suas rédeas.

 

COMEÇAR DE NOVO: 1958 - 1971

 

A NOVA FASE

 

- Nova fase. Em sessão de 15-03-1958, na Casa das Sessões da Junta de Freguesia, compareceram «o Presidente da Junta, Snr. Manuel Francisco de Oliveira e o Regedor Snr. Manuel de Oliveira Cordeiro, por nesta altura não existir qualquer comissão ou Direcção, afim de nomearem uma direcção» para a Filarmónica. Segundo a acta desta sessão, «foram convidados as pessoas em cima indicados para inaugurar novamente a Sociedade, depois de cerca de seis mezes de terem suspendido a sua actividade, em face de Despezas extraordinárias causadas por um desastre de viação na direcção sessante de que faziam parte os Snrs. Luís Gaspar Alves e o Snr. Alvaro Filipe da Silva Matias». Aqueles responsáveis, por sua vez, convidaram algumas personalidades para o cargo da Direcção que passou a contar com João Alegria Seixas como Presidente, José Alves da Cunha como Secretário e João Marcelino dos Santos como Tesoureiro. A sua posse deu-se em 25-04-1958.
- Em sessão de 25-04-1958 «foi resolvido pela nova direcção estudar imediatamente o regulamento interno da Sociedade Artistica e Musical Cortesense, e bem assim os novos estatutos».
 

JOÃO SOARES E A FILARMÓNICA

 

- A 03-01-1960, reuniram-se as pessoas mais representativas da Freguesia, na Casa das Sessões da Junta, «incluindo o grande Amigo e colaborador acérrimo, João Lopes Soares, sob a presidencia do Snr. Manuel Francisco de Oliveira, ladiado pelos Senhores José Alves Pereira, e José Alves da Cunha, para se estudar a reorganização da Nova Filarmónica local». Foi então resolvido por unanimidade «nomear uma “Comissão Reorganizadora” para dar início aos trabalhos da reorganização, considerando-se desde esta data a fundação da nova Sociedade, cognominada “Sociedade Artística e Musical Cortezense”». Essa Comissão ficou assim constituída: Manuel Francisco de Oliveira, como Presidente, José Alves Pereira, Joaquim Bento da Silva, Luís de Oliveira, José Alves da Cunha, Anacleto Pereira Valentim, João Marcelino dos Santos e Luiz Rodrigues.
- Com efeito, só a partir de 1960, com uma presença prolongada do Dr. João Lopes Soares nas Cortes, é que a Filarmónica arribou de novo. Foi o Dr. João Soares que comprou um fardamento novo (casaco azul, calça de cotim tipo tropa e boné azul) e contratou um Mestre, Abílio de Sousa, da Lourinhã. De tal forma que, no dia 30 de Abril de 1960, dia da inauguração da energia eléctrica ao domícílio nas Cortes e no Alqueidão, a Filarmónica já fez as honras da casa perante todas as individualidades presentes.
- A 17-05-1960 foi nomeada pela Comissão uma Direcção provisória que ficou assim constituída: Presidente: Manuel Francisco de Oliveira; Secretário - Anacleto Pereira Valentim; Tesoureiro - João Marcelino dos Santos. O contramestre eleito foi António Marques, da Abadia. O Regente, Abílio de Sousa, esteve pouco tempo, tendo-se despedido no início de Junho. Joaquim bento da Silva Junior foi incumbido de o substituir até à chegada do novo Regente, Manuel Amado, de Monte Redondo. Este, por sua vez, também se depediu no início do ano de 1962, voltando Joaquim Bento à função.
- Em Maio de 1960 é contraído um empréstimo de 7.918$20 no Banco de Portugal que é amortizado logo em Junho do mesmo ano.
- Em sessão de 23-05-1962, comparece o Mestre Joaquim Lopes para discutir a sua admissão como Regente, em simultâneo com a regência da Filarmónica dos Pousos, tendo sido aceite com condições muito rigorosas para a Sociedade e determinando que Joaquim Bento o substituisse sempre que fosse necessário.
- A 24-02-1963 toma posse uma nova Direcção, assim constituída: Presidente - José Eduardo Marciano; Secretário - Luís João Junior Carreira Frazão; e Tesoureiro - Guilhermino dos Santos Cordeiro.
 

O CONCURSO DO TURISMO

 

- A Comissão Regional de Turismo, em colaboração com a Câmara Municipal de Leiria, realizou, de 12 a 27 de Maio de 1972, um concurso de filarmónicas com o intuito de «incentivar a arte musical entre o povo». Aceitaram tomar parte neste concurso as filarmónicas do Arrabal, que actuou no dia 12; a das Chãs e a das Cortes, a 13; a de Monte Redondo, a 14; a dos Pousos e a de Vilar dos Prazeres (Vila Nova de Ourém), a 19; a dos Marrazes e a do Arnal, a 20; a do Soutocico e a da Caranguejeira, a 26; e no dia 27, as três filarmónicas premiadas deram um concerto final. As filarmónicas classificadas foram: a da Caranguejeira, em 1º lugar, recebendo uma taça de prata e diploma; a dos Marrazes, em 2º, premiada com uma placa de prata e diploma; e em 3º a das Cortes, que recebeu uma placa de cobre e diploma. Este concurso decorreu com o maior interesse, quer dos músicos, quer do público que encheu a Praça de Rodrigues Lobo, onde as bandas actuaram.
 

A CONFIRMAÇÃO NACIONAL: 1976 - 1980

 

ORQUESTRA E CORO

 

- Em 1975 e 1976 os programas das festas locais não mencionam a presença da Filarmónica das Cortes, sinal inequívoco de que está parada.
- Em finais de Maio de 1976, dizia-se na imprensa da cidade que, «a dois anos do seu centenário - fá-lo no dia de Páscoa de 1978 - a Filarmónica das Cortes atravessa uma das crises de maior impacto na Sociedade Musical da freguesia».
- Na mesma altura, a mesma imprensa referia que, «em reunião de 23 do corrente [Maio de 1976] na sede da Filarmónica, com a presença de um número razoável de pessoas, cerca de 15 dos presentes deram o seu voto de apoio activo, sendo bem claro e expresso o desejo de que a Filarmónica prossiga o seu trabalho».
- Logo de seguida houve notícia de que « no dia 25 do mês passado [Maio de 1976], da reunião efectuada saíu uma Comissão provisória que terá como objectivos fundamentais estimular e apoiar futuras iniciativas musicais». Essa Comissão era composta pelos senhores Professor José Casimiro, Jaime Bento, António Filipe Matias, Henrique Marques e José Marques.
- De outra reunião efectuada no dia 30 ficou deliberada uma tentativa de contrato com um maestro, a fim de que fosse garantida a “assistência técnica” da Filarmónica. Era o Maestro António Lourenço, de Tomar. Discutindo-se a situação da Sociedade Artística, ficou também assente a sua reestruturação mais ou menos nos seguintes moldes: efectivar a formação dum coro misto e diverso nas idades.
- O primeiro ensaio com a orquestra, já com o Maestro António Lourenço em funções, foi no dia 18 de Junho de 1976. O primeiro ensaio com coristas foi no dia seguinte, 19.
Em 5 de Setembro de 1976, foi apresentado ao público o Coro e Orquestra Filarmónica das Cortes (COFC) a partir de uma ideia de Jaime Baptista Bento da Silva, então professor de música e componente da Direcção da Sociedade Artística e Musical Cortesense, com o inteiro apoio dos restantes elementos da Direcção, José Ferreira Marques, Henrique dos Santos Marques e Cesário Cordeiro Gonçalves, todos ex-músicos. A iniciativa propunha-se responder à necessidade imperiosa de apoiar e modernizar a Filarmónica das Cortes. Esta apresentou-se com um novo fardamento: os músicos vestiam uma calça preta e um casaco verde escuro e usavam uma bóina também do mesmo tom verde.
- Depois de vários concertos nas Cortes, o Coro e Orquestra promove um concerto no âmbito de uma eucaristia celebrada na igreja das Cortes a 9 de Janeiro de 1977 e radiofundida para Portugal e Europa pela Radiodifusão Portuguesa.
- A primeira visita do Coro e Orquestra, fora da freguesia, foi à cidade de Leiria, onde, no Teatro José Lúcio da Silva, deu um espectáculo, na noite de 7 de Maio de 1977.
 

ACTIVIDADE FRENÉTICA

 

 Em 7 de Julho de 1977 realizou-se uma reunião com os representantes da Câmara Municipal e das filarmónicas do concelho, com o fim de se promover um concurso entre as bandas da mesma área administrativa. Veio ele a realizar-se já no ano seguinte em que tais agrupamentos acorreram à Praça de Rodrigues Lobo para as suas execuções, tendo-se apresentado às primeiras provas as da Caranguejeira, Cortes e Marrazes e, às segundas, as do Arrabal, Maceira e Monte Redondo. A prova final teve lugar em 17-6-1978, acabando por todas as bandas tocarem a mesma marcha e o seu hino. No final as bandas tocaram, em conjunto e sob a regência do 1º sargento músico António Cordeiro Gonçalves, a «Alma Maiata». A classificação foi estabelecida do modo seguinte: 1º - Sociedade Filarmónica de S. Cristóvão da Caranguejeira, regida por António Cordeiro Gonçalves; 2ª - Sociedade Artística Musical 20 de Junho de Santa Margarida do Arrabal, dirigida por Jaime Luís Crespo; e 3ª - Sociedade Artística Musical Cortesense, conduzida por Joaquim Lopes.
- 26 de Março de 1978: concerto, nas Cortes, integrado nas comemorações de quatro centenários: o que então se considerava o centenário da Filarmónica, o centenário do nascimento de Afonso Lopes Vieira, o centenário do nascimento das irmãs gémeas do Vale da Mata e o centenário do nascimento do Dr. João Lopes Soares.
- 1 de Abril de 1978: gravação para a RTP de um concerto, realizado numa das salas da Cooperativa de Ensino da Cruz da Areia, para ilustrar as comemorações do centenário do nascimento do poeta Afonso Lopes Vieira. Alfredo Tropa foi o realizador.
- Em 1978 o Coro e Orquestra Filarmónica foi agraciado com a Medalha de Arte e Cultura pela Câmara Municipal de Leiria.
 

A ESCOLA DE MÚSICA

 

- Em Dezembro de 1979, a Sociedade Artística e Musical Cortesense criou uma Escola de Música, que inaugurou em 1 de Janeiro de 1980.
- A 19 de Fevereiro de 1980 a Escola de Música das Cortes foi motivo de reportagem no programa “País, País”, da RTP.
 

OS ENCONTROS DE MÚSICA SACRA

 

- A 30 de Março de 1980 o Coro e Orquestra Filarmónica das Cortes (COFC) participou no I Encontro de Coros - Música Sacra realizado na Sé Catedral de Leiria (29 e 30 de Março) sob organização da Sociedade Artística e Musical Cortesense e com a participação de, para além do COFC, sob a direcção do Maestro Joaquim Vicente Narciso, o Orfeão de Leiria, o Coral Stella Vitae (Lisboa), o Chorus Auris (Ourém) e o Coral Stella Maris (Peniche).
- Em 2 de Dezembro de 1980 reúne pela primeira vez a Direcção da Escola de Música de Leiria, a que presidia Joaquim Marques Confraria e de que era Secretário um elemento da Direcção da Sociedade Artística e Musical Cortesense, Alberto Bartolomeu Achando.
- A 11 de Abril de 1981, o Coro e Orquestra Filarmónica das Cortes (COFC) participou no II Encontro de Coros - Música Sacra realizado na Sé Catedral de Leiria sob organização da Sociedade Artística e Musical Cortesense e com a participação de, para além do COFC, sob a direcção do Maestro Joaquim Vicente Narciso, o Orfeão de Leiria, o Orfeão da Covilhã e o Coral CCD da Caixa de Previdência dos Serviços de Lisboa.

 

OS ANOS DE CONSOLIDAÇÃO: 1981 - 1990

 

A AFIRMAÇÃO LOCAL

 

- Em 1984, novamente remodelada, a Sociedade Artística e Musical Cortesense, que já deixara cair o Coro, prossegue, agora já só como Filarmónica, passando a dar mais ênfase à sua escola de Música.
- É em 1984 que a Filarmónica das Cortes passa a integrar elementos femininos nas suas fileiras, não obstante já anteriormente os ter tido no Coro.
- No Diário da República , III Série - Nº 176, de 2-8-1985, pode ler-se na página 8890:
 

«SOCIEDADE ARTÍSTICA E MUSICAL CORTESENSE

 

«Certifico que, por escritura de 20 de Junho de 1985, exarada de fl. 33 a fl. 33 v.º do livro de escrituras diversas nº 140-D do 2º Cartório da Secretaria Notarial de Leiria, a cargo do notário licenciado Higino Rodrigues Valente, foi constituída, por tempo indeterminado, a associação denominada Sociedade Artística e Musical Cortesense, com sede no lugar e freguesia de Cortes, concelho de Leiria.
A associação tem por fins a cultura e desenvolvimento da arte musical, promoção e recreio dos sócios e famílias, criação e manutenção de uma sala de leitura e biblioteca, promoção de sessões culturais, colaboração em festividades religiosas e o exercício de quaisquer outras actividades conducentes à melhor formação humana dos associados.
Podem ser sócios todos os indivíduos de ambos os sexos. (...)»

- Em 1987 a Sociedade Artística e Musical Cortesense recebe da Câmara Municipal de Leiria o Galardão Municipal, «pela sua acção cultural no ensino e divulgação da música”.
 

O RECONHECIMENTO NACIONAL

 

- Em 1989 a Filarmónica participa no Encontro de Bandas do Círculo Musical Bombarralense e no VI Festival de Bandas Civis de Lagos.
- Em 1990 integra o 9º Encontro de Bandas Civis de Alcácer do Sal.
- Em reunião de 23 de Março de 1991, a Assembleia Geral da Sociedade Artística e Musical Cortesense deliberou autorizar a SAMC a inscrever-se como sócia fundadora da Associação das Filarmónicas do Concelho de Leiria, então com sede provisória na Rua da Filarmónica, Arrabal, e a nomear um elemento para a representar no acto de escritura pública de constituição daquela Associação. Foi dada autorização e nomeado Alberto Bartolomeu Achando, vice-presidente, que já vinha integrando o grupo de trabalho da criação da Associação.
- Em 1991 a Filarmónica adquiriu um novo instrumental, «mais moderno e noutro som (o normal)», composto por 36 unidades, pelo valor de 5.127.850$00.
- A 26 de Fevereiro de 1992 a Sociedade Artística e Musical Cortesense solicita ao Primeiro-Ministro o «reconhecimento de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública».
- 7 de Dezembro de 1992, o Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva faz chegar à Sociedade Artística e Musical Cortesense um documento com o seguinte teor:
«O presente diploma é conferido à SOCIEDADE ARTÍSTICA E MUSICAL CORTESENSE, com sede em Cortes, Leiria, por ter sido reconhecido(a) como pessoa colectiva de utilidade pública, nos termos do Decreto-Lei nº 460/77, de 7 de Novembro, conforme consta do despacho publicado no «Diário da República», II série, nº 280, de 4 de Dezembro de 1992.»
- Em 1993 A Filarmónica participa no 13º Convívio de Bandas de Música de Tomar, organizado pela Sociedade Filarmónica de Gualdim Pais.
- Ainda em 1993 a Sociedade Artística e Musical Cortesense comemorou festivamente o 115º Aniversário, homenageou antigos músicos e dirigentes, com especial relevo para o Maestro António Cordeiro Gonçalves, e participou no III Encontro de Filarmónicas do concelho de Leiria, realizado no Arrabal.
 

A FILARMÓNICA HOJE

 

MÚSICA, CULTURA E IDENTIDADE DE CORTES

 

- Em Setembro de 1994, o Mestre Manuel Lopes pede a demissão, tendo sido de imediato substituído por Ricardo Botelho, que entrou em Outubro.
- Em reunião de 30 de Setembro de 1994 foi deliberado comprar um novo fardamento para a Filarmónica, a estrear em 1995.
- Em 1994 a Filarmónica integra o IV Festival de Bandas Civis do concelho de Aljezur e em 1995 o XIII Festival de Bandas Civis de Silves.
- Em 1995 a Sociedade Artística e Musical Cortesense foi agraciada com a Medalha de Prata da Região de Turismo de Leiria - Rota do Sol, por manter a sua actividade há mais de 100 anos.
- Em 1998 a Filarmónica das Cortes interveio na EXPO’98, no dia oficial da Ordem Soberana e Militar de Malta, a convite desta, formulado pelo escultor D. João Charters de Azevedo, oriundo de famílias das Cortes.
- Ainda em 1998, a Filarmónica das Cortes recebeu em casa a Banda da Ribeira Brava, da ilha da Madeira, sendo convidada em seguida a deslocar-se àquela ilha, constituindo a primeira Filarmónica do Continente a participar no Encontro Regional de Bandas da Madeira, naquela que foi a sua XV edição, juntamente com mais 16 filarmónicas do arquipélago.
- Em 1999/2000 a Escola de Música fez várias audições, reconhecidas como «incentivo para os alunos e como apresentação e divulgação da Escola para o exterior».
- Em 2000 a Filarmónica foi convidada a deslocar-se aos Açores onde representou o Continente nas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
- Em reunião de 12 de Outubro de 2001 da Assembleia Geral da Sociedade Artística e Musical Cortesense procedeu-se a uma alteração alargada dos Estatutos, sobretudo «para permitir criar condições para o recurso à Lei do Mecenato».
- Em 2002 a Sociedade Artística e Musical Cortesense editou o seu primeiro disco compacto (CD) com 9 temas interpretados pela sua Filarmónica.
- Em 2003 celebrou festivamente o 125º Aniversário com um programa vasto que incluiu, entre outras iniciativas, uma exposição sobre o seu historial na Casa-Museu *Centro Cultural João Soares, nas Cortes, e um Festival Internacional de Bandas.
 

Carlos Fernandes
02-04-2003

 

 

 


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