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A Crise do Sistema Liberal (1890 - 1926)

1 - Da Monarquia à I República (1890 - 1926)

As reacções ao Ultimato britânico de Janeiro de 1890 marcam o princípio do fim da monarquia constitucional. A aceitação pelo jovem rei D. Carlos, e pelo seu governo, das exigências britânicas contra as prestações do «Mapa Cor-de-Rosa», levantam pelo país um imenso clamor patriótico de cunho antimonárquico. A crise económica e financeira junta-se à crise política. E a tentativa revolucionária de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, mostra que a tomada do poder está ao alcance do republicanismo. Face ao impasse do rotativismo e dos velhos partidos monárquicos, o rei recorre, em 1907, à ditadura de João Franco.

A onda republicana que contra ela se levanta, sobretudo entre a plebe urbana de Lisboa, enquadrada pela Carbonária, conduzirá ao Regicídio em Fevereiro de 1908. Depois, levará à revolução republicana na capital, triunfante na manhã de 5 de Outubro de 1910, com escassa resistência de uma Monarquia sem defensores e cuja família real foge para Inglaterra. Das divisões partidárias na jovem República surge um sistema político dominado pelo Partido Democrático de Afonso Costa, mas herdeiro dos vícios, da fraude e do cacicato monárquicos. À crise de legitimidade do regime junta-se a gestão imprudente e radical da questão religiosa que vira o mundo rural contra o anticlericalismo afonsista. Simultaneamente, agudiza-se a agitação social contra uma República repressiva, cedo cortada do mundo operário que ajudara a implantá-la.

A aventura da intervenção portuguesa na Grande Guerra agravaria todos os problemas. Os seus dramáticos efeitos geram um ambiente de permanente instabilidade, conduzindo ao derrube do governo de Afonso Costa pelo movimento militar de 5 de Dezembro de 1917.

O curto consulado de Sidónio Pais parecia anunciar as novas ditaduras que assolariam a Europa do pós-guerra. Mas o presidente-rei não conseguiu estabelecer um regime durável. Baseada no carisma do seu chefe, a «República Nova» não sobreviveria ao assassinato de Sidónio em Dezembro de 1918. Das convulsões que lhe seguiram renasce, em Março de 1919, a «Nova República Velha» tutelada pelos novos «bonzos» do Partido Democrático.

A I República caminhava para o precipício.

A gravíssima crise económica e financeira do pós-guerra e a radicalização da agitação social, a permanente instabilidade político-militar, tudo contribuiu para a formação de uma tão ampla quanto equívoca fronda contra a chamada «ditadura do Partido Democrático». O seu braço armado será o exército. Depois de várias conspirações e ensaios frustrados, o heteróclito movimento militar sai à rua a 28 de Maio de 1926, triunfando praticamente sem oposição.

Apesar de muitos dos seus apoiantes o não saberem, não era só a I República que caía. Com ela, encerrava-se um século de liberalismo e iniciava-se o ciclo de 48 anos de autoritarismo.



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