voltar ao início
Casa-Museu Centro Cultural Joo Soares

Exposições Temporárias

Cultura e Tradição em Timor-Leste
Centro de Documentação e Divulgação da Cultura de Timor
Inauguração: 28 de Junho de 2002


Centro de Documentação e Divulgação da Cultura de Timor

HISTORIAL

Pedro Manuel Gonçalves Tolentino, professor e João Filipe Gonçalves Tolentino, arquitecto, desde 1977 que acompanham o problema de Timor através de um contacto directo com a comunidade timorense residente em Portugal.

Foi na Quinta do Balteiro, no Vale do Jamor, em caxias, que estabeleceram os primeiros contactos, efectuados então através do agrupamento 77 da Cruz-Quebrada do corpo nacional de escutas, desde esse momento e até aos dias de hoje gerou-se um elo muito forte com o povo de Timor, foram anos e anos de um convívio quase diário, na Quinta do Balteiro, assistindo com alegria à reunião de famílias que iam conseguindo sair de Timor e com alguma tristeza à partida daqueles que não recebendo apoio em Portugal iam tentar a sorte na Austrália.

Durante todos estes anos a participação em inúmeras festas e cerimónias timorenses permitiu a recolha de um numeroso espólio áudio visual e fotográfico das suas músicas, danças e tradições culturais.

Em 1991 surgiu a ideia de realizar uma exposição sobre Timor, na escola c+s de Queluz, onde o Pedro era professor, desde logo o Conselho Directivo deu o total apoio e começou-se a recolher material... Mas queríamos algo diferente e a ideia de construir as maquetas das habitações tradicionais de Timor foi o primeiro passo. A exposição foi um sucesso, tendo em conta que era dirigida a crianças dos dez aos treze anos, conseguiu interessá-las ao ponto de porem questões pertinentes sobre a situação em Timor.

Desde então a realização e/ou participação em exposições e eventos ligados a Timor foi uma rotina, chegando pedidos de todo o lado, de escolas a universidades, de juntas de freguesia a câmaras municipais e museus, de norte a sul do país, somando mais de 70 semanas de divulgação da cultura timorense, tendo em conta uma duração média de sete dias por exposição.

Esta exposição está dividida em vários núcleos, tais como, arquitectura tradicional, tecelagem e vestuário, música, cestaria e artesanato, pesca, etc.

Mais recentemente decidiram criar o "Centro de Documentação e Divulgação da Cultura de Timor", com o objectivo de divulgar a cultura e tradições do povo de Timor Leste, entre outras actividades organizou um atelier de artesanato de Timor para crianças timorenses e colaborou num curso de artesanto para jovens timorenses.

Um dos trabalhos desenvolvidos a par com a construção das maquetas das casas tradicionais de Timor, foi a reprodução de algumas peças de artesanato, instrumentos musicais tradicionais, teares, assim como utensílios e artefactos do dia a dia do povo timorense, de modo a dar um maior realismo e interesse nas exposições realizadas.

Com o propósito de angariar fundos para financiar as suas actividades o C.D.D.C.T. editou postais de natal com motivos de Timor Leste e tem vendido algumas das peças que executa, nomeadamente, reproduções das "surik", (espadas), "kanedok", (conchas), em casca de coco e pau rosa e principalmente maquetas das "uma lulik", (casas sagradas), tradicionais.


PRINCIPAIS NÚCLEOS TEMÁTICOS:

ARQUITECTURA TRADICIONAL

O núcleo dedicado à arquitectura tradicional é sem dúvida o mais espectacular e até ao momento único no mundo, constituindo uma espécie de ex-libris do C.D.D.C.T., composto por uma série de maquetas construídas em madeira, bambu e fibras de palmeira. A partir de desenhos e fotografias de Ruy Cinatti e de Brigitte Clamagirand, são reproduções fieis, à escala, das casas tradicionais timorenses das regiões de Lautém, Suai, Bobonaro, Viqueque, Maubisse, Marobo e Ocussi. Altares e totens da religião animista e painéis esquemáticos e informativos sobre cada região completam este núcleo.

A frequência das exposições obriga a um restauro constante destas maquetas extremamente frágeis, para estarem presentes na Expo'98 houve necessidade de dois meses de trabalho.

TECELAGEM E VESTUÁRIO

Cinco painéis explicam a tecelagem tradicional timorense, desde a colheita até à tecelagem propriamente dita, passando pelas diversas fases a que o algodão é sujeito, até se transformar nos belíssimos "tais", (panos timorenses), multicolores e de graciosos desenhos.

Todos os artefactos expostos foram construídos pelo C.D.D.C.T. com base em fotografias e descrições de alguns timorenses, desde o fuso aos teares.

Fotografias e os coloridos "tais" completam o núcleo da tecelagem, que, por vezes ganha vida, com a inclusão de manequins vestidos a rigor com os trajes tradicionais.

MÚSICA

Os instrumentos musicais usados em Timor dividem-se em três grupos, percussão, sopro e cordas, todos eles de construção artesanal, construídos em metal, madeira, bambu, chifre, etc. Revelam por vezes certas originalidades, caso dos gongues feitos a partir dos tampões das rodas das inúmeras viaturas abandonadas pelos japoneses após a II. guerra mundial, caso também do "lakadouk" instrumento de cordas feito integralmente em bambu, inclusive as cordas.

O "kakolo" instrumento de percussão em bambu era usado em Timor não para a música, mas para espantar os pássaros das searas ou para enviar sinais codificados, introduzido na música pelo maestro timorense Simão Barreto, passou a fazer parte do universo musical timorense.

A introdução do violino na música tradicional perdeu-se nos séculos, feito por vezes artesanalmente, passou a ser o instrumento principal nos "estilu" (festas) timorenses, quem já assistiu a um "katuas" (velho) timorense a executar em violino as músicas tradicionais jamais o esquecerá.

Os pequenos tambores "babadok", variadas flautas, instrumentos de sopro em chifre de búfalo e conchas de búzios e guizos completam a gama de instrumentos musicais tradicionais.

CESTARIA E ARTESANATO

A cestaria é uma das actividades mais activas em Timor Leste, tanto na produção de peças para venda ao turista, como para uso quotidiano.

Depois de cortada em tiras mais ou menos estreitas conforme os objectos a fazer a folha de palmeira é entrançada pelas mãos hábeis das timorenses transformando-se em cestos, caixas, pratos, açafates, cigarreiras, bolsas, etc. Onde o colorido e a minúcia do desenho nos espantam, por vezes as tiras têm pouco mais de 1mm de largura.

Distinguem-se três tipos de entrançado, diagonal, ortogonal e hexagonal, sendo este último o mais surpreendente nas formas e nos desenhos.

Os "katupa" (saquinhos) feitos em folha de coqueiro para cozer o arroz de coco são um exemplo da utilidade da cestaria no dia a dia do timorense, servem de recipiente para conter o arroz durante a cozedura e ao mesmo tempo para o transporte do mesmo em viagem, as timorenses mais idosas sabiam fazer algumas dezenas de formas diferentes destes saquinhos.

O artesanato timorense está muito ligado ao quotidiano, traduzindo-se a grande maioria das peças em representações mais ou menos estilizadas da realidade, as conhecidas casas de sândalo feitas à imagem das casas de Lautém, as figuras de pássaros feitas em chifre de búfalo, o crocodilo da lenda da formação de Timor, os guerreiros, os búfalos e os cavalos de Timor, as corcoras e beiros (barcos de Timor) feitos em casca de tartaruga, etc.

Por vezes objectos de uso diário vão sendo minuciosamente trabalhados, transformando-se em autênticas peças de arte, caso dos pentes em chifre, das conchas em casca de coco, etc.

Salientamos ainda o trabalho de ourivesaria, tanto em ouro como em prata.

PESCA

No núcleo dedicado à pesca em Timor podemos admirar, além de variadas fotografias, uma miniatura de um "beiro" (barco tradicional de Timor) e uma curiosa espingarda de caça submarina oriunda da ilha de Ataúro, feita em madeira e bambu, com um longo arpão em ferro, (apenas conhecemos dois exemplares em Portugal).

Curiosos são os óculos de mergulho usados pelos pescadores submarinos, feitos em osso ou bambu e com dois fundos de garrafa, colados com cera de abelha, a servir de lentes.

Curiosamente apesar de Timor Leste ser uma ilha a pesca apenas é praticada por uma ínfima parte da população, na sua maioria habitantes da pequena ilha de Ataúro.

Dezenas de fotografias complementam estes núcleos.

Infelizmente, mercê da ocupação indonésia, a quase totalidade dos artefactos aqui referenciados já não se fabricam ou foram totalmente adulterados, perdendo irremediavelmente a qualidade e a minúcia que possuíam.

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CULTURA DE TIMOR
RUA DE S. FRANCISCO, 310 - QUINTA DO BENTO
ADROANA - 2645-019 ALCABIDECHE
Telefone : (01) 460 22 52 - 0936 90 60 54




Fundação Mário Soares
Rua de S. Bento, 176 - 1200-821 Lisboa, Portugal
Telefones: (+ 351) 21 396 41 79 | (+ 351) 21 396 41 85 | Fax: (+ 351) 21 396 4156
fms@fmsoares.pt | arquivo@fmsoares.pt | direccao.casa-museu@fmsoares.pt