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Casa-Museu Centro Cultural Joo Soares

Exposições Temporárias

Aquário de Papel: aguarelas de Hein Semke
Cortes, Leiria, 14 de Outubro de 2000 a 31 de Janeiro de 2001

"Todos nós somos peixes - grandes - pequenos - feios - bonitos. Todos nós nos deixamos apanhar um dia na rede que só a nós é destinada. Assim adquirimos o nosso rosto. - O resto é água, da qual Tudo veio, para a qual Tudo reencontra o seu caminho."

Hein Semke, Fische und Fische (Peixes e Peixes), 1969

O peixe como símbolo do divino - desde os tempos pré-cristãos -, como alegoria do humano - espelho de tipos e comportamentos -, como espécie ou criatura natural -surpreendente e misterioso objecto de estudo e encantamento -, eis os 3 aspectos fundamentais, por vezes simultâneos, que a sua imagem assume na obra de Hein Semke. O fascínio do mar e da vida marinha e marítima sobre o artista não é platónico. Não era só em literatura acerca da fauna oceânica ou na obra de Melville e outros que ele mergulhava, mas em mercados, lotas e, sobretudo, no mundo submarino das águas límpidas das Berlengas, do Portinho da Arrábida e da Salema.

A representação do peixe atravessa toda a produção de Hein Semke, desde a primeira escultura e cerâmica - em placas, jarras, painéis como O Cristo dos Pescadores - até recorrentes séries de desenhos e monotipias; desde os 2 livros de artista que lhe dedica - O Pequeno livro dos Peixes (com 49 desenhos de 34 x 48 cm) e Peixes e Peixes (com 94 pinturas de 70 x 100 cm) - até ao conjunto de 22 aguarelas agora exposto.

Hein Semke

Escultor, ceramista e pintor, Hein Semke nasceu em 1899 em Hamburgo. Combatente na I Grande Guerra e activista político, empenhamento que lhe valeu seis anos de prisão solitária, frequentou as Academias de Belas-Artes de Hamburgo e de Estugarda, deixando definitivamente a Alemanha em 1932 e fixando-se em Portugal, onde nesse mesmo ano expôs no Salão de Inverno da SNBA.

Companheiro de Eloy, Almada, Sarah Affonso, Júlio, Vieira da Silva, Arpad Szenes etc. - com os quais participou em mostras colectivas e com um vasto currículo de mostras individuais -, trouxe à vida artística portuguesa uma dimensão expressionista onde o sintetismo formal e a força emotiva se aliam numa obra intensamente afirmativa, na qual o misticismo religioso e a mensagem humanista andam de mãos dadas com a celebração panteísta do mundo.

Um dos grandes renovadores da cerâmica portuguesa, é ainda autor de uma notável obra xilográfica e de mais de 30 livros de artista de grandes dimensões, feitos a partir de 1965, tendo o seu Livro da Árvore sido publicado em 1995 pela F.C.G.- ACARTE, em fac-simile de formato reduzido, e exposto na Biblioteca Nacional.

A Fundação Calouste Gulbenkian apresentou em 1972 uma retrospectiva dos seus "40 Anos de Actividade em Portugal". Em 1991, o Museu Nacional do Azulejo expôs uma visão da obra cerâmica e em 1997, o Museu de José Malhoa a obra escultórica.

Tem trabalhos no Pátio de Honra aos Mortos da Guerra da Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, no Jardim de Inverno do Hotel Ritz, no Hotel da Baleeira de Sagres, na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, nos jardins da Fundação Gulbenkian, no jardim da Casa-Museu João Soares em Cortes, em diversos museus etc..

Hein Semke morreu em Lisboa, em 1995.

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