Dando cumprimento à colaboração definida em Junho de 2007 entre a Fundação Mário Soares (FMS) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), iniciamos a colocação online de documentos dos Arquivos Históricos Nacionais (AHN) da República da Guiné-Bissau. O fundo documental que aqui apresentamos - Repartição do Gabinete do Governador - foi o primeiro a ser integralmente digitalizado, em Bissau, por técnicos locais, em estreita colaboração com os técnicos da FMS. A sua disponibilização, estamos em crer, permitirá novos olhares sobre um período histórico - os últimos anos da colonização portuguesa.
Reconhecemos em particular o trabalho do Carlos Alfredo, antigo director dos AHN, que infelizmente faleceu durante o decorrer deste projecto. O seu legado está presente em todos estes documentos.
O Fundo da Repartição do Gabinete do Governador, que engloba toda a documentação produzida por esta repartição desde meados dos anos 40 até 1974, era constituído inicialmente por 22 caixas de tipo archivex, totalizando cerca de 7 metros lineares. Encontrava-se totalmente classificado e organizado antes do conflito político-militar de 1998/99 (Repartição do Gabinete do Governador - Catálogo Sumário), tendo desde então sido recuperadas 17 caixas, as quais se encontram neste momento totalmente digitalizadas.
Em termos temáticos, existe uma predominância de documentação referente aos governos de Arnaldo Shulz e António de Spínola. Tal pode indicar ter havido uma maior produção documental no período da luta de libertação, o que será particularmente verdade para Spínola, que sabemos ter encetado um esforço de reorganização da colónia. Já em termos de tipologia documental, trata-se essencialmente de correspondência, expedida e recebida, organizada por dossiers temáticos e cronológicos, embora muita da organização inicial se tenha perdido.
O estado em que este arquivo se encontrava, no início dos trabalhos de digitalização, era, apesar das circunstâncias, bastante razoável, tendo as operações de limpeza e conservação sido mínimas. Contudo, e uma vez que se encontrava classificada/organizada em maços, que chegavam a atingir 400 páginas cada, foi necessário proceder à sua separação em capilhas com um menor número de imagens, por facilidade de digitalização. Adicionalmente, e após a digitalização, foi possível atingir o nível documento.
Assim, foi necessário adaptar as cotas existentes. Às cotas originais atribuídas pelos técnicos dos AHN/INEP, foram acrescentadas terminações numéricas que reflectem a nova organização. Tome-se este exemplo:
A7/1.2 - cota original AHN/INEP (A7 = Fundo; 1 = Caixa; 2 = Maço)
Este maço específico foi separado, para fins de digitalização, em 10 divisões:
A7/1.2_001 a A7/1.2_010
Posteriormente, e apenas em formato digital, cada uma destas divisões, artificiais, foi dividida até se chegar ao nível documento. Por exemplo:
A7/1.2_002.001 a A7/1.2_002.003
Casos houve em que a separação original corresponde a um documento:
A7/1.2_001corresponde a um documento único. Note-se que durante o trabalho inicial de individualização física em capilhas, foram dadas indicações no sentido desta ser, quando possível, lógica, no sentido de não se separarem documentos a meio.
Este conjunto de procedimentos permitiu-nos caracterizar o universo documental aqui presente. A sua análise, complementada com alguma investigação histórica acerca do funcionamento da instituição sua produtora, levou-nos construir uma árvore de classificação, de forma a hierarquizar os documentos individuais presentes. Esta grelha, que ainda não é definitiva, regeu-se por critérios híbridos organizativo-topológicos, que, estamos em crer, por um lado aproximam a documentação daquele que seria a sua organização inicial, e por outro, permitem-nos "navegar" pelo fundo de uma forma lógica e intuitiva. Adicionalmente, todos os documentos foram descritos da forma mais exaustiva possível, sendo igualmente possível pesquisar em texto livre.