[Memória do Campo de Concentração]
Dever de Memória

Esta publicação é editada no âmbito do Simpósio Internacional sobre o campo de concentração do Tarrafal, acolhendo uma selecção dos documentos e textos que serviram para a realização da exposição que a Fundação Mário Soares, em colaboração com a Fundação Amílcar Cabral, instalou no próprio campo.

Foi nossa intenção disponibilizar aos leitores informação histórica e iconográfica sobre as duas fases deste campo de concentração criado por Salazar e que funcionou desde 1936 a 1954 – essencialmente dirigido contra antifascistas portugueses – e, posteriormente, de 1961 a 1974 – contra nacionalistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Para o efeito, reuniram-se materiais de diferentes proveniências, de que cumpre destacar e agradecer o Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde, os Arquivos Históricos da Guiné-Bissau/INEP, o Gabinete de Estudos Sociais do Partido Comunista Português, o Sistema de Informação para o Património Arquitectónico – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (ex-DGEMN), a Direcção-Geral de Arquivos/Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional de Portugal, o Arquivo Histórico da Marinha – Biblioteca Central de Marinha, o Arquivo Histórico Ultramarino, o Arquivo Histórico Diplomático, além de fundos próprios da Fundação Mário Soares.

O objectivo principal desta publicação consiste na recolha e inventariação de testemunhos e documentos, “tendo em vista constituir um acervo histórico e museológico que faculte um melhor conhecimento do passado e mantenha viva a denúncia de factos que a nossa memória colectiva tem o dever de registar”, conforme se sublinhou na apresentação do Simpósio Internacional.

Mais se entende que a importância do legado histórico agora evocado exige a consolidação no Tarrafal de um projecto museológico transnacional – que preserve e dinamize a memória da luta comum dos povos de Portugal, Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, que deve ser estendida aos restantes países da CPLP.

Das Gerações da Utopia ao Dever de Memória, importa afirmar os Ideais e Princípios que devem nortear a Cidadania e os Direitos Humanos nas nossas sociedades democráticas.

Alfredo Caldeira

Estava já em preparação esta exposição quando faleceu em Lisboa Joaquim de Sousa Teixeira, um dos três últimos sobreviventes portugueses do campo de concentração do Tarrafal (entregue pela Marinha à polícia política em 8 de Setembro de 1936, embarcou para o Tarrafal um mês depois, aí ficando preso até 24 de Agosto de 1944. Regressado a Lisboa, continuará preso durante mais dois anos).