Terça-feira, 4 de Outubro de 1910O rei foge para Mafra040984
D. Manuel, regressado do banquete em Belém, tirara o grande uniforme de almirante e envergara o de general, entretendo-se a jogar bridge com o Marquês do Lavradio e o Conde de Sabugosa.
Quando os cruzadores "S. Rafael" e "Adamastor" tomam posição frente ao Palácio das Necessidades, o pânico apodera-se de quantos aí se encontravam.
D. Manuel refugia-se na tapada, no pavilhão mandado construir por seu pai, "o atelier onde D. Carlos pintava e recebia as visitas patuscas". Após o bombardeamento, o Presidente do Ministério, Teixeira de Sousa, insiste telefonicamente com o rei para que abandone o Palácio. Este hesita, «não iriam dizer que ele desertara?», mas, cerca das duas da tarde, acaba por fugir pelas traseiras, dirigindo-se para Mafra, de automóvel, "embrulhado numa manta, na caixa, escondido", acompanhado pelo marquês do Faial, que conduz, e pelo Conde de Sabugosa, tendo sido escoltado até à Buraca pelo 3.º esquadrão da Guarda Municipal. Ao mesmo tempo, avisa a mãe e a avó, que se encontravam no Palácio de Sintra, para se lhe juntarem em Mafra.
ano:
1910 | tema:
Vida Política/Violência (política)