Janeiro de 1908Publica-se em Lisboa o romance Marquês da Bacalhoa034872

É publicado, sob a chancela da Imprimerie Liberté de Bruxelas, o romance "O Marquês da Bacalhôa", da autoria de
António de Albuquerque, havendo suspeitas de que terá sido impresso em Lisboa, numa pequena tipografia da Rua do Arco do Bandeira, que seria propriedade do republicano Gomes de Carvalho.
Terminado em 6 de Setembro de 1907, o livro vem a sair ao público pouco antes do regicídio.
É um escândalo na época, esgotando-se imediatamente mais de 6000 exemplares, apesar do preço elevado (800 réis) e da proibição "Fizeram mal em proibir o Marquês da Bacalhoa . Já há quem tenha dado por um exemplar três mil réis, e o preço corrente é agora de dez a quinze tostões... Se o queriam inutilizar apreendessem-no, tanto mais que toda a gente sabia onde era impresso." (Raul Brandão).
O romance conta as "tropelias" do Ministro Nunes durante o durante o reinado do Marquês da Bacalhoa e, em especial, os amores sáficos da rainha
D. Amélia, por quem
Mouzinho de Albuquerque nutria uma paixão, cujos amores contrariados o teriam levado ao suicídio segundo Vasco Pulido Valente, as personagens seriam "o marquês (
D. Carlos, na realidade, proprietário da Quinta da Bacalhoa), a marquesa (D. Amélia); o conselheiro João Nunes dos Santos (
João Franco); D. Álvaro de Luna (Mouzinho de Albuquerque); Maria de Silves (a condessa de Sabugosa); e a condessa da Freixosa (a condessa de Figueiró, a famigerada Pepa Sandoval, amiga da rainha)."
O escândalo ficou a dever-se, sobretudo, aos costumes devassos da Corte retratados no romance.
ano:
1908 | tema:
Cultura