voltar ao início
Arquivo & Biblioteca

Cronologia


[registo específico]
Quarta-feira, 5 de Outubro de 1910Encarregado de negócios da Alemanha pede armistício e precipita a vitória republicana

034862

0102
O Encarregado de Negócios da Alemanha dirige-se às tropas governamentais, pedindo um armistício de uma hora, para que os seus compatriotas possam abandonar a cidade. O Quartel-General monárquico, instalado no Palácio da Independência, no Largo de S. Domingos, aceita a proposta, na suposição de que assim poderiam receber os esperados reforços de Santarém, tanto mais que do governo já nada se sabia (o ministro da Guerra abandonara o Quartel-General por volta das 5 da manhã). Entretanto, diversos comandos militares (designadamente, os comandantes de Infantaria 5 e de Caçadores 5) levam ao general Gorjão o seu desespero perante o crescente apoio popular aos revoltosos, dizendo que a "monarquia está ferida de morte". Concedido o armistício pedido pelo diplomata alemão, sai do Quartel-General uma ordenança a cavalo com uma bandeira branca que é suposta acompanhar o diplomata até à Rotunda para conferenciar com Machado Santos, ao mesmo tempo que, no Torel, Paiva Couceiro interrompe o bombardeamento da Rotunda. Machado Santos recebe o diplomata alemão mas não dá resposta imediata, de modo a poder fazer um reconhecimento da situação. António Maria da Silva redige um "armistício" que duraria entre 8.45 e as 9.45 dessa manhã. Machado Santos, para evitar que o armistício se voltasse contra os republicanos, arranca às 8.35 da Rotunda à frente de muitos populares e desce a Avenida a cavalo - "levava a farda desabotoada, poeirenta, barba de três dias e só uma dragona." Ao mesmo tempo, tendo assistido à passagem da bandeira branca, a população da Baixa invade o Rossio aos vivas à República, julgando tratar-se da rendição das tropas monárquicas. E acaba por levar Machado Santos aos ombros até ao quartel-general monárquico do Largo de São Domingos. Impotentes, algumas unidades militares regressam a quartéis, o gado que puxa as peças de artilharia de Queluz tresmalha e foge em todas as direcções, muitos soldados e populares confraternizam. No Palácio da Independência - Machado Santos afirma ter ali entrado às 8.44 (um minuto antes da hora marcada para o início do armistício) - o general Rafael Gorjão foi intimado a reconhecer a República, como se já tivesse proclamada e, tendo recusado (mantendo-se fiel à Casa Militar do Rei, a que pertencia), foi substituído pelo general de brigada António do Carvalhal. Um marinheiro hasteia a bandeira republicana no quartel-general. A situação está militarmente decidida e apenas falta formalizá-la.

ano: 1910 | tema: Vida Política
palavras-chave: Implantação da República Alemanha Gorjão Paiva Couceiro Machado Santos 

voltar



Fundação Mário Soares
Rua de S. Bento, 176 - 1200-821 Lisboa, Portugal
Telefones: (+ 351) 21 396 41 79 | (+ 351) 21 396 41 85 | Fax: (+ 351) 21 396 4156
fms@fmsoares.pt | arquivo@fmsoares.pt | direccao.casa-museu@fmsoares.pt