Terça-feira, 4 de Outubro de 1910Revolucionários apoderam-se das primeiras unidades militares034856
Às 00.45 horas, trinta ou quarenta civis armados, comandados por
Machado Santos, saem do Centro Republicano de Santa Isabel, em Campo de Ourique, e entram no quartel de Infantaria 16, logo ali ao lado, aos gritos de "Viva a República". Há trocas de tiros e o comandante do regimento, coronel Pedro Celestino da Costa, é morto.
Dominado o quartel, a coluna revoltosa dirige-se para Artilharia 1, em Campolide, onde chega pela pela uma e um quarto. Encontram fechada a porta de armas, que arrombam, com a intervenção do ferrador Bento Vaz e de 17 civis que já tinham conseguido entrar com a ajuda de militares da guarnição, sob o comando do capitão Afonso Pala, vindo juntar-se-lhes a coluna de Infantaria 16. À voz deste oficial, o sargento Gonzaga dispara três tiros de salva de uma peça de artilharia, dando o sinal.
Apesar da resistência de alguns militares, os insurrectos republicanos assaltam os paióis e apoderaram-se assim de armamento pesado, que logo dirigem para o Palácio das Necessidades para prender o rei. Mas quando a bataria comandada pelo capitão Sá Cardoso atinge a Ferreira borges, é atacado pela Guarda Municipal, sendo obrigada a retroceder.
Entretanto, o 1.º tenente Ladislau Parreira, acompanhado pelos 2.ºs tenentes Aníbal Sousa Dias e José Carlos da Maia, pelos comissários navais Costa Gomes e Guilherme Rodrigues, por alguns sargentos, marujos e por um grupo de revolucionários civis, armados com sete bombas e duas pistolas, entraram no Quartel de Marinheiros, em Alcântara, pela porta do Jardim, que dava com a rua do Arco. Com vivas à República, entraram no quartel, sendo de imediato apoiados pelo 2.ºs tenentes
Tito de Morais e Melo Guerreiro. O comandante, contra-almirante Pereira Viana, tentou opor-se, sendo ferido.
Tentam seguidamente dirigir-se para as Necessidades, apoiados por numeros grupos de civis de Alcântara, mas são obrigados a entricheirar-se de novo no quartel, de onde fazem fogo sobre a 24 de Julho, impedindo a progressão de Cavalaria 4 que, vinda de Belém, pretende atingir o Terreiro do Paço.
Ao mesmo tempo, a Guarda Municipal, que desde a meia-noite, recebera ordem de prevenção rigorosa, tenta controlar os acontecimentos e prepara a reacção aos primeiros ataques dos revolucionários republicanos (vem, aliás, a disparar na Rua Ferreira Borges sobre a coluna saída de Artilharia 1 e que, mais tarde, se dirigirá para a Rotunda, após novas escaramuças, desta feita com a polícia, no largo do Rato).
ano:
1910 | tema:
Vida Política