Sexta-feira, 13 de Setembro de 1912Publicação do Acordo Luso-Espanhol01915
Uma nota oficiosa do Ministério dos Negócios Estrangeiros publicita um acordo entre os governos espanhol e português.
Desde as incursões monárquicas que as relações entre Portugal e Espanha estavam muito tensas, já que Portugal considerava que o Governo de Canelejas protegia os "couceiristas". De Madrid, a 6 de Setembro, chegara a notícia que
José Relvas tinha tido uma demorada conferência com o Presidente do Conselho, Canelejas, e que estavam concluídas as negociações acerca dos conspiradores.
A 13 de Setembro, o Governo espanhol, examinando a reclamação apresentada pelo Governo da República Portuguesa, referente especialmente à expulsão dos conspiradores para fora do território continental de Espanha, reconhece a dificuldade de execução da medida por, entre outras razões, existir uma corrente de opinião contrária. Madrid concorda com a expulsão dos chefes e principais fautores da conspiração, tendo-se oferecido o Governo brasileiro para receber no seu território internados de Cuenca. Começam a surgir notícias de realistas embarcados com destino ao Brasil.
As bases do acordo entre os dois governo são as seguintes: A expulsão para fora de Espanha de todos os chefes e principais fautores da conspiração; o julgamento de todos os implicados que estejam sujeitos às sanções das leis penais espanholas; a interdição de regressarem ao território de Espanha, durante 3 anos, de todos os que, tendo conspirado em Espanha até Julho último contra o regime estabelecido em Portugal, aceitarem o oferecimento do Governo da República Brasileira, retirando para o Brasil, sendo esta interdição extensiva a todos os que saírem para outras nações; e, finalmente, a redacção de uma convenção, de carácter permanente e recíproco, para impedir futuras conspirações.
ano:
1912 | tema:
Relações Internacionais/Violência (política)