Terça-feira, 4 de Fevereiro de 1908Constituição do ministério de Ferreira do Amaral00488
Três dias após o regicídio, foi constituído um governo de coligação monárquica, presidido pelo contra-almirante
Francisco Joaquim Ferreira do Amaral na Presidência e na pasta do Reino, contando com a participação de dois progressistas,
Manuel Afonso de Espregueira na Fazenda e
Sebastião Teles na Guerra, dois regeneradores,
Campos Henriques na Justiça e
Venceslau de Lima nos Negócios Estrangeiros e dois independentes, Augusto de Castilho na Marinha e João de Sousa Calvet de Magalhães nas Obras Públicas.
"O novo ministério pôs em liberdade os presos políticos, autorizou o regresso dos exilados, indultou os marinheiros condenados, fez reaparecer os jornais suspensos, reconduziu as câmaras municipais e juntas de paróquia dissolvidas, promulgou uma ampla amnistia e anulou os decretos da ditadura mais perseguidores e atentatórios das liberdades. Foi tolerada a exaltação dos regicidas mortos e a abertura de subscrições para os seus filhos menores." ("Nova História de Portugal", Joel Serrão e A.H. Oliveira Marques)
Escrevia "O Mundo": «O que a opinião pública reclama do novo governo: Liberdade de reunião, de associação e de pensamento; abolição completa das leis de excepção; amnistia dos presos políticos e exilados; imediata convocação das Cortes, para apreciação do decreto da liquidação dos adiantamentos à Casa Real; amnistia aos marinheiros deportados, aos quais o actual Presidente do Conselho deu solenemente a sua palavra de honra de que não sofreriam nenhuma pena, se se submetessem, por ocasião da revolta de Abril de 1906; extinção do juízo de instrução criminal; reforma da lei eleitoral, com representação de minoria». Não era pedir muito; afinal era pedir apenas o restabelecimento da normalidade constitucional. (HRRP)
ano:
1908 | tema:
Vida Política