voltar ao início
Arquivo & Biblioteca

Cronologia


[registo específico]
Terça-feira, 28 de Janeiro de 1908Tentativa de golpe revolucionário para derrubar a Monarquia.

00484

0102
A oposição ao governo de João Franco crescia, abarcando não apenas os republicanos, organizados sobretudo na Maçonaria e na Carbonária, mas também muitos elementos dos partidos do rotativismo e mesmo alguns elementos do Palácio. Intensificaram-se as tentativas de aliciamento de unidades militares, ao mesmo tempo que os conspiradores civis fabricavam bombas artesanais (a que chamavam a "artilharia civil"). O comerciante Víctor de Sousa, ao tentar aliciar um polícia, foi denunciado, dando lugar à reacção do governo. A 21 de Janeiro, o rei D. Carlos segue para Vila Viçosa e, nessa noite, foram presos os dirigentes republicanos França Borges, director de O Mundo, e João Chagas e, no dia seguinte, António José de Almeida e Luz de Almeida, o Grão-Mestre da Carbonária. Decapitada a tentativa revolucionária, Afonso Costa tomou a sua direcção, com o dissidente José Maria de Alpoim, o Visconde da Ribeira Brava e Egas Moniz. Planeiam tomar a Câmara Municipal, de onde proclamariam a República, enquanto grupos de civis armados entrariam nos quartéis e barcos para obterem a adesão das unidades militares e outros assaltariam a casa de João Franco. Na tarde de 28 de Janeiro, dia da denominada "intentona do elevador da biblioteca", verificou-se que o Chefe do Governo, afinal, não estava em casa e a confusão instalou-se entre os conspiradores, levando a que a polícia detectasse as suas movimentações e o governo lançasse uma vasta operação contra os implicados, detendo mais de 120 pessoas: Afonso Costa, de cara rapada, foi capturado pela polícia, acontecendo o mesmo ao Visconde da Ribeira Brava, a Egas Moniz e a Álvaro Poppe; José de Alpoim refugia-se em casa de Teixeira de Sousa, fugindo depois para Espanha, tal como os viscondes de Pedralva e do Ameal, contra os quais foi igualmente emitido mandato de captura. Registam-se ainda incidentes violentos entre polícia e conspiradores civis. O governo intensificou a repressão, aprovando o decreto que previa a expulsão do País ou a deportação para as colónias, «quando os interesses superiores do Estado assim o aconselharem», de todos os implicados em conspirações ou delitos contra a segurança do mesmo Estado.

ano: 1908 | tema: Vida Política
palavras-chave: João Franco Maçonaria Carbonária Afonso Costa Teixeira de Sousa 

voltar



Fundação Mário Soares
Rua de S. Bento, 176 - 1200-821 Lisboa, Portugal
Telefones: (+ 351) 21 396 41 79 | (+ 351) 21 396 41 85 | Fax: (+ 351) 21 396 4156
fms@fmsoares.pt | arquivo@fmsoares.pt | direccao.casa-museu@fmsoares.pt