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Cronologia


[registo específico]
Segunda-feira, 29 de Setembro de 1902Morre Emile Zola

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Morre, em Paris, o romancista francês Emile Zola. Nascido a 2 de Abril de 1840 em Paris, Emile Zola foi criado em Aix, onde estudou no Colégio Bourbon até 1858 e depois em Paris, no Liceu de Saint-Louis. Não obtendo sucesso no "baccalauréat", exame final do liceu, em 1859, viu-se forçado a viver de trabalhos de escritório até 1865, altura em que decidiu passar a viver apenas do seu trabalho de escritor. Casou-se, em 1870, com Alexandrina Meley. Assumiu uma relação posterior, com Jeanne Rozerot, de quem teve uma filha, Denise, em 1889, (que escreveu uma das melhores biografias de Zola) e, um filho, Jacques, em 1891. Das obras escritas por Zola destacam-se: "Contes à Ninon" (1864), "Thérese Raquin" (1867), "Madelaine Férat" (1868), "Les Rougon-Macquart, histoire naturelle et sociale d’une famille sous le Second Empire", (1871 a 1893) – uma série de 20 romances, que com a queda de Napoleão, em 1870, o fez afastar da ideia inicial de se reportar apenas ao segundo Império, dando à obra um carácter de propaganda social, abordando temas como as condições de trabalho, o alcoolismo, a prostituição, as questões agrárias, etc., "Les Trois villes: Lourdes, Rome et Paris", (1894, 1896, 1898) – um novo ciclo de romances, que iniciados sob a égide de um violento ataque à igreja católica romana, culminaram com a abordagem de uma nova perspectiva da religião da humanidade e do socialismo –, "Fécondité" (1899) – sobre o declínio da população francesa –, "Travail", 1901 – sobre a socialização da indústria – e "Vérité" (1903) – publicação póstuma inspirada no caso Dreyfus. A sua escrita contém uma forte componente emocional e reflecte uma capacidade extraordinária de descrição, sobretudo no que diz respeito às realidades da civilização contemporânea e à descrição de cenas de multidões (minas, fábricas, armazéns, etc.). Émile Zola representou um papel fundamental no caso Dreyfus, tendo sido um dos mais esforçados defensores da sua inocência. A 13 de Janeiro de 1898, Zola publicou no jornal "L’Aurore", sob a forma de carta aberta ao presidente da República, o libelo intitulado "J’accuse", contendo um forte ataque aos militares e governantes que acusavam injustamente de espionagem aquele oficial francês e denunciando o anti-semitismo patente nessa perseguição. Tal atitude resultou na condenação de Zola em tribunal, com base em documentos falsificados. O julgamento será anulado, mas o escritor é de novo condenado em 1898. A 18 de Julho, por conselho do seu advogado, Émile Zola parte para o exílio em Inglaterra, onde se manteve até ao ano seguinte. Regressou a Paris a 4 de Junho, quando soube que se iria realizar um segundo julgamento de Dreyfus, publicando no "L’Aurore o artigo de celebração "Justice". Na manhã do dia 29 de Setembro de 1902 foi encontrado morto, no seu quarto, asfixiado por uma má tiragem da chaminé, desconhecendo-se ainda hoje as exactas circunstâncias da sua morte. No funeral, Anatole France definiu Zola: Foi um momento da consciência humana!

ano: 1902 | tema: Cultura
palavras-chave: Literatura Dreyfus Anatole France 

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