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Biografias



Miguel Ventura Terra (1866-1919)

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Nasceu em Seixas, Caminha, a 14 de Julho de 1866. Terminou os estudos de arquitectura na Academia de Belas-Artes do Porto (1881-1886) e seguiu como bolseiro do governo para Paris onde foi discípulo de Jules Andrés e Vítor Laloux. Regressou a Portugal em 1886, já com o grau de arquitecto de 1ª classe, tendo ganho, nesse ano, o concurso para a construção da Câmara dos Deputados e parte restante do Parlamento, obra que só foi terminada em 1902. Tem igualmente no seu currículo a concepção dos dois pavilhões da representação portuguesa na Exposição de Paris de 1900. No início do século XX, projectou os palacetes e prédios de rendimento mais qualificados, sobretudo em Lisboa, com uma abordagem ecléctica e europeia da arquitectura, que lhe permitiu concretizar uma obra simultaneamente cosmopolita e racionalista e também utilitária. De convicções republicanas e maçónicas, Ventura Terra destaca-se como o autor mais importante ao nível dos equipamentos urbanos, como, por exemplo, a primeira creche construída em Lisboa, 1901 (a Associação de Protecção à Primeira Infância), os Liceus Pedro Nunes, em 1906, Camões, em 1907 e Maria Amália Vaz de Carvalho, em 1913, a Maternidade Alfredo da Costa, em 1907. Em 1906, realiza o Banco Totta & Açores, na Rua do Ouro, que consuma a primeira intervenção moderna na Baixa Pombalina. Também o Teatro Politeama, 1912-1913, representa uma intervenção que explora as potencialidades do ferro na construção. Em 1903, constrói na Alexandre Herculano a sua própria casa e, nas traseiras, a Sinagoga de Lisboa, recebendo o Prémio Valmor de 1903. Recebe em 1906 um novo Prémio Valmor pela construção, no ano anterior, da Casa Valmor e, em 1909, pela residência da Rua Marquês da Fronteira. Estes e outros exemplos, designadamente em São Sebastião e na Lapa, mostram a sua apetência por uma nova monumentalidade discreta, mas elegante, com preferência por fachadas assimétricas e grande versatilidade no recurso aos novos materiais. Exerceu funções de vogal do Conselho dos Monumentos Nacionais. Morreu em Lisboa a 30 de Abril de 1919.

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