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Biografias



Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850-1923)

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Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850-1923)
Nascido a 17 de Setembro de 1850, em Freixo de Espada-à-Cinta, Trás-os-Montes, Abílio Manuel Guerra Junqueiro fez o ensino preparatório no Porto e, em 1866, frequentou o curso de Teologia na Universidade de Coimbra. No entanto, dois anos mais tarde, desiste de Teologia e matricula-se na Faculdade de Direito, da mesma Universidade, onde se formou no ano de 1873. Pouco tempo depois, foi nomeado Secretário-Geral do governo civil em Angra do Heroísmo e, posteriormente, transferido para Viana do Castelo. Em 1878 foi eleito, pela primeira vez, deputado às Cortes por Macedo de Cavaleiros, iniciando a sua vida política. No ano seguinte, aderiu ao Partido Progressista e foi novamente eleito deputado. Pertenceu ao grupo 'Vencidos da Vida', juntamente com Eça de Queirós, Oliveira Martins, entre outros. Após um desentendimento com Oliveira Martins abraça a causa republicana. Em 1890 foi eleito deputado pelo círculo de Quelimane (Moçambique). Ao ser substituído na legislatura seguinte, Guerra Junqueiro abandonou a vida política activa no campo monárquico, dedicando-se à escrita e à administração da sua casa agrícola. Em 1903 instala-se em Vila do Conde. Dois anos depois, muda-se para a cidade do Porto, vindo a ser candidato a deputado pelo Partido Republicano em 1908. Após a implantação da República, pela qual se bateu activamente, Guerra Junqueiro apresentou uma proposta de alteração da bandeira nacional: uma bandeira azul e branca (semelhante à bandeira monárquica) em que a coroa era substituída por uma 'esfera armilar' e um arco constituído por cinco estrela, três vermelhas e duas verdes – proposta que não mereceu o acolhimento da Comissão nomeada para a adopção da nova bandeira nacional. Em 1911 foi nomeado Enviado Extraordinário e ministro plenipotenciário da República Portuguesa junto da Confederação Suíça, funções que desempenhou até 1914. Guerra Junqueiro conheceu, ainda em vida, a admiração do público e da crítica, tendo sido, talvez, o poeta mais popular da sua época. Detentor de um 'tom panfletário' na escrita, bem como de uma riqueza verbal que contribuiu para a renovação do verso português, foi considerado por muitos como 'o primeiro poeta latino depois de Victor Hugo'. No entanto, houve quem criticasse a sua obra, como foi o caso de António Sérgio. O poeta colaborou, ainda, em diversos jornais portugueses e estrangeiros, como 'A Folha', dirigido por João Penha, a 'Lanterna Mágica', que contava, também, com desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro, o Diário de Notícias, o Comércio do Porto, o 'Journal de Géneve', etc. Da sua vastíssima obra podemos destacar os seguintes títulos: 'Vozes sem Eco' (1867), 'Baptismo de Amor', com prefácio de Camilo Castelo Branco (1868), 'Victória da França' (1870), 'Espanha Livre' (1873), 'A Morte de D. João' (1874), 'A Velhice do Padre Eterno' (1885), 'Finis Patriae', (1890), 'A Pátria' (1896), 'Oração ao Pão' (1902), 'Oração à Luz' (1903) e 'Prosa dispersas' (1920). Guerra Junqueiro morreu a 7 de Julho de 1923, em Lisboa.

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