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Biografias



Aquilino Ribeiro (1887-1963)

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Aquilino Ribeiro (1887-1963)
Nasceu a 13 de Setembro de 1885 em Carregal de Tabosa, concelho de Sernancelhe. Dez anos depois, muda-se com os pais para Soutosa, concelho de Moimenta da Beira onde, no mesmo ano, faz o exame de instrução primária. Aos 17 anos, e depois de uma curta passagem por Viseu, onde estuda Filosofia, entra para o Seminário de Beja, onde frequenta os dois primeiros anos do Curso de Teologia. A meio do segundo ano, no entanto, abandona o seminário por ausência de vocação... E, em 1906, instala-se em Lisboa. Mil novecentos e sete é um ano agitado na vida nacional. É também um ano agitado para Aquilino: uma bomba artesanal explode no seu quarto, no momento em que dois amigos do escritor a manipulavam. Os dois têm morte imediata. Aquilino, que assistia à preparação, é preso e levado para a esquadra do Caminho Novo, de que se evade, na noite de 12 de Janeiro de 1908. Vive algum tempo de 'clanestinidade', ali a cento e cinquenta metros do Ministério do Reino, numa casa da Rua Nova do Almada que Alfredo Costa lhe prepara. Em Maio, segue para Paris, indo Tomar o Sud-Express ao Entroncamento com a sua valise e o 'monóculo a armar ao janota'. Reside seis anos em Paris, com uma breve incursão a Portugal nos finais de 1910, após a proclamação da República. Frequenta a Faculdade de Letras da Sorbone. Aí conhece a sua primeira mulher, Grete Tiedemann, com quem casa na Alemanha. Em 1914, nasce-lhe o primeiro filho. Com a eclosão da Guerra, regressa a Portugal, onde lecciona no liceu Camões e publica o seu primeiro livro, 'A via sinuosa', dedicada à memória de seu pai. Em 1919, a convite de Raúl Proença, entra para a Biblioteca Nacional de Lisboa. Participa nas revistas 'Seara Nova', Homens Livres' e 'Lusitânia' e no 'Guia de Portugal'. Nesse mesmo ano edita um novo romance: 'Terras do Demo'. Seguem-se 'Filhas da Babilónia', 'Valeroso Milagre', 'A traição', a tradução e prefácio a 'Amusement Périodique', do Cavaleiro de Oliveira, 'Estrada de Santiago', 'O Romance da Raposa' e 'Andam Faunos pelos Bosques'. Em 1927, implicado na revolta do 7 de Fevereiro contra a Ditadura Militar, volta a exilar-se em Paris durante cerca de um ano. Demitido do seu cargo na Biblioteca Nacional, regressa clandestinamente a Portugal e decide acolher-se à Soutosa. Morre entretanto a sua primeira mulher. Um ano depois, toma parte em nova revolta, é preso e enviado para o presídio do Fontelo, em Viseu. Foge, uma vez mais – e uma vez mais ruma a Paris onde, no ano seguinte, casa em segundas núpcias com Jerónima Dantas Machado, filha do Presidente Bernardino Machado, também exilado em França. Julgado à revelia no Tribunal Militar de Santa Clara, é condenado. Em 1930 nasce-lhe o segundo filho, e publica 'O Homem que matou diabo'. Em 31, instala-se na Galiza e publica 'Batalha sem Fim'. Em 32, entra clandestinamente em Portugal, acabando por ser amnistiado. No ano seguinte, ganha o prémio Ricardo Malheiros, com 'As três mulheres de Sansão'. Em 1935, é eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Entre livros para crianças, biografias, contos e romances, edita, nos anos que se seguem até 52, mais de vinte livros, entre os quais 'Volfrâmio', 'O Malhadinhas' e 'Geografia Sentimental'. Em 1952, recebe no Brasil as mais altas homenagens de escritores e homens públicos daquele país, e a Comenda do Cruzeiro do Sul. No ano seguinte, publica 'Príncipes de Portugal, Suas Grandezas e Misérias', que provoca a ira dos patrioteiros do regime, que promovem sessões de desagravo. Em 1956, é eleito primeiro presidente da recém-criada Sociedade Portuguesa de Escritores, de que é também o sócio n.º1. Em 58, é um dos proponentes da candidatura do general Humberto Delgado, é eleito sócio efectivo da Academia das Ciências, e edita, nos últimos dias do ano, o romance 'Quando os lobos uivam' – um êxito editorial que, em 1959, dará origem a um processo, e cuja circulação e reedição é proibida pelas autoridades portuguesas. Em 1960, o seu nome é proposto para o Nobel da Literatura. O processo instaurado pela publicação de 'Quando os lobos uivam' é arquivado, por uma amnistia feita à medida. Publica 'No Cabalo de Pau com Sancho Pança' e ' De Meca e Freixo de Espada à Cinta'. Em 62, escreve 'O Livro de Marianinha' e inicia as suas memórias, 'Um escritor confessa-se'. Em 1963, publica 'Tombo no Inferno' e três livros para criança. A Sociedade Portuguesa de Escritores, então dirigida por Ferreira de Castro, comemora o 50.º aniversário da publicação do primeiro livro de Aquilino. È homenageado no Porto, onde, numa empresa industrial, um operário lhe diz: 'O Senhor, mestre Aquilino Ribeiro deu voz àqueles que nunca a conseguiram fazer ouvir e, também, até àqueles que nem sequer julgavam que tinham voz'. Morreu no dia 7 de Maio de 1963, no Hospital da Cuf, em Lisboa, deixando cerca de setenta livros publicados. Em 1980, foi reintegrado a título póstumo, na Biblioteca Nacional. (Caldeira, Alfredo e Andringa, Diana, 'Em defesa de Aquilino Ribeiro', Lisboa, 1994)

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