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FREIRE, Maria Dulce Alves
Produzir e Beber: a vinha e o vinho no Oeste (1929-1939)
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O estudo limita-se à área de actuação da FVCSP, a qual, depois do alargamento do âmbito geográfico da Junta Nacional do Vinho passará a ser designada por "antiga área da FVCSP". Interessam sobretudo os vinhos comuns, nos quais se incluem, como muitas vezes acontecia na prática, os de lote e de caldeira.
A observação dos efeitos da conjuntura e das medidas governamentais numa região essencialmente vinhateira ditou outro encurtamento na área geográfica em análise. Assim, na primeira parte são abordadas as implicações nacionais da(s) momentosa(s) crise(s) e na segunda a zona que mais vinho comum produzia: o Oeste.
Traduzir o conteúdo das páginas que se seguem em linguagem cinematográfica seria dizer que o enredo se desenrola em três fases. Na primeira a acção desenvolve-se rapidamente e fornece ao espectador apenas os elementos essenciais dos antecedentes. A seguir assiste-se ao lento desenrolar da trama, através de grandes planos, imagens quase paradas, sucessivos avanços e recuos, na procura de pormenores que (con)induzam o espectador. Depois tudo se acelera de novo. Cessam os detalhes e as imagens visam apenas justificar a interpretação do realizador.
O argumento divide-se em duas partes cada qual com quatro capítulos:
Parte I. No Capítulo I discutem-se as raízes da permanente abundância de vinho. Segue-se a caracterização da conjuntura dos anos trinta, das medidas propostas e executadas pelo governo português para os velhos e novos problemas: o desenrolar da trama nos (longos) Capítulos II e III. Por último (Capítulo IV) faz-se um balanço económico e político da vitivinicultura do Centro e Sul e das suas relações com os interesses do Douro, cerealíferos e industriais.
Parte II. Definem-se os limites reais e imaginados da região Oeste (Capítulo I). Depois retomam-se os grandes planos. Descrevem-se as estruturas sócio-económicas (Capítulos II e III) e os efeitos da crise perceptíveis no quotidiano dos que mais directamente dependiam da vinha e do vinho (Capítulo III).
Tudo termina com o esboço das vicissitudes da vitivinicultura nacional até aos anos oitenta. Em 1986, doze anos depois da queda do regime autoritário, a Junta Nacional do Vinho, que vimos nascer nos alvores dos anos trinta, transforma-se em Instituto da Vinha e do Vinho (IVV). É a confirmação institucional de uma nova época para a vitivinicultura nacional. Quando as evidentes quebras nas exportações de vinho comum e as directivas da Comunidade Europeia tornam inadiável a reestruturação do sector segundo os critérios da qualidade concorrencial. (...)
 

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